Ícone da animação nacional criado pela produtora TV PinGuim, “Peixonauta”, fez sua estreia nos cinemas em 3D.  Dirigido por Célia Catunda, Kiko Mistrorigo e Rodrigo Eba, o filme conta a maior aventura do agente secreto Peixonauta, agora na cidade grande, com uma história criada especialmente para o cinema. Conversamos com a diretora Célia Catunda sobre o novo formato,  o impacto do desenho animado pelo pelo mundo e na educação infantil.

Como é para você levar para as telonas o que já faz sucesso nas telinhas? O formato mudou e por conta disso a estrutura do roteiro também, como é adaptar um desenho de grande sucesso para os cinemas? Tiveram dificuldades?

Célia Catunda – Foi uma coisa que a gente já queria há muito tempo. A serie sempre tem aquela estrutura que se encerra a cada episodio, e ai a gente queria poder contar uma aventura mais longa, uma trama mais elaborada. Ao mesmo tempo é um desafio por que quando os personagens já vêm de um universo de série, eles já têm uma forma de comportamento, que não tem tanta transformação. É uma historia mais complexa, com idas e vindas. A gente trabalhou muito no roteiro para chegar numa linguagem que mantivesse as características do Peixonauta. A gente mantem a leveza do desenho.

O legal da animação é que você tem a oportunidade de fazer um planejamento todo detalhado, a gente montou um filme praticamente inteiro em rascunho.

O desenho tem um papel importante na educação das crianças, estimula o cuidado e a consciência com o meio ambiente, qual é a importância de ensinar esses conceitos para as crianças?

Célia Catunda – Os trabalhos que a gente faz aqui na TV Pinguim procuram trazer informação com um conteúdo além. As histórias são divertidas embasadas em conceitos reais. E eu acho que isso tá muito dentro do cotidiano da criança principalmente essa questão da sustentabilidade, por que é uma coisa muito presente nas escolas. Os pais contam que os filhos ficam muitos em cima do comportamento correto dos pais. E ter isso num programa de televisão, elas se sentem muito estimuladas em saber mais sobre esses assuntos. Eles têm um interesse natural. A questão da água é muito presente e a série aproveita a temática e instrui também.

Quando você criou a animação, como foi o seu processo de identificação de publico?
Célia Catunda – Assim a série toda, até pela complexidade do roteiro,  é feita para crianças de 4 a 8 anos. Só que na televisão, a gente sempre acaba pegando além, justamente os menores, na faixa de dois anos, normalmente irmãos. Elas adoram tanto as músicas, como a interatividade da Popi, enquanto os mais velhos são desafiados pela complexidade do roteiro e do conteúdo. As crianças curtem muito a serie, em decifrar os mistérios junto com os personagens. Esse trabalho dedutivo, elas adoram.

 A trilha sonora do filme é bem contagiante, e vocês ainda contaram com os Titãs na canção “Uma coisa de cada vez”, como foi esse convite?

Célia Catunda –  A gente tem uma amizade bem antiga com o Arnaldo Antunes. Eu e o Kiko, a gente trabalhou com ele em um dos primeiros projetos solos dele, Norm, um dvd de animações em cima das musicas dele. E essa canção que tá no filme, ela já existia e a gente achou que cabia super bem para o clipe, onde todo mundo tem que fazer as coisas ao mesmo tempo. Foi mais a questão de pedir a permissão dele.

O desenho foi vendido para a Netflix, e já é visto mundialmente em outras línguas,  como foi esse processo?

Célia Catunda –  A gente procurou fazer a serie já com um apelo universal. Antes de ser vendido para a Netflix, o Peixonauta quando estreou foi vendido internacionalmente para canais de TV, para mais de 80 países (EUA, China, Rússia entre outros).  E nessa época, a gente já tinha vendido para Netflix americana, além de ter comercializado em canais de televisão em outros países e em outras plataformas. E agora com o lançamento do longa, a gente vendeu a segunda temporada também. A gente vem abrindo esses mercados fora do Brasil desde a época que o desenho estreou.

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