“Eu me levantei da laje fria na qual estivera deitado e a primeira coisa em que pensei foi que tudo não havia passado de um pesadelo longo e assustador, algo assim como aquele sujeito que desperta e se vê transformado num gigantesco inseto”.  Esse é um dos trechos de “A Lua é um Grande Queijo Suspenso no Céu”, novo romance do escritor Claudio Parreira, recente lançamento da editora Penalux.

A clara referência ao começo do clássico “A Metamorfose”, de Kafka, não é algo gratuito neste novo livro do Vigarista (o apelido é endossado pelo próprio autor), tendo em vista que nessa obra ele explora o universo literário de um jeito muito irreverente e contundente. “Acho que a maioria dos autores contemporâneos se leva a sério demais”, diz o escritor. “A Lua é Um Grande Queijo Suspenso no Céu brinca muito com essa ideia.”

De fato, neste romance há dois eixos que se evidenciam: o primeiro, o narrativo, que conta a história de Pafúncio e sua busca pela Panaceia (remédio que promete a cura de todos os males); o segundo, o temático, que trata com muito humor a literatura e os modos de produzi-la, como já destacado acima.

O escritor Anderson Henrique, que assina a orelha do livro, descreve assim o livro e seu autor: “As oficinas e manuais de escrita se multiplicam […] Regras e mais regras […] A Lua é Um Grande Queijo Suspenso no Céu vai de encontro a tudo isso em um livro que mistura o erudito e a galhofa, as frases sonoras e bem encaixadas entremeadas por marcações propositalmente enfadonhas. É literatura feita como dedo do meio erguido para as convenções, uma rasteira nessa rabugice da literatura contemporânea. Parreira dança com os demônios do escritor em seu livro e faz tudo o que, em teoria, deveria ser evitado: fala do tempo, enche o romance de notas de rodapé, cria títulos maiores que o conteúdo dos capítulos e ainda ataca de primeira pessoa com um narrador que caçoa e subestima constantemente seu leitor”.

A Lua é Um Grande Queijo Suspenso no Céu é um romance para leitores que gostam de uma história bem contada e divertida, mas também se presta a encantar escritores que já aprenderam a não se levar muito a sério, pois o riso também é uma panaceia. Afinal, como o diz o ditado: rir de si mesmo é o melhor remédio.

 

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