O que te levou a fazer um documentário investigativo sobre a profissão ator?

Na realidade, a ideia é traçar um paralelo da diferença.  O filme ele vem com um intuito de desglamourizar a profissão do ator, que para grande maioria da população é vista como glamourizada, apesar de ter sido uma profissão que foi marginalizada.  Os artistas tiveram à margem da sociedade, depois com a televisão e como cinema, e tudo mais, que glamorizou. Mas a maioria das pessoas não sabe o tamanho da dor e do suor de escolher uma profissão como essa. É um autoconhecimento absurdo, é você realmente mergulhar nas suas entranhas. E passar por todos os perrengues possíveis.

Eu sou formado em artes dramáticas, além da escola de cinema, eu tô no Rio há 15 anos, vim para fazer teatro, né, transferi a faculdade de direito para cá e junto com ela, eu fiz todos os cursos de teatro da cidade, Cal, Tablado, etc. Até entrar na faculdade de Artes dramáticas da antiga Faculdade da Cidade, me formei, e desde então trabalho com ator, também.  E ai, eu atuo nas duas profissões. E ai um dia meu sócio falou que achava superinteressante esse meu lado profissão ator, vendo que difícil para cacete, ele propôs a ideia de fazer algo em cima disso. Dai, a gente começou a pensar em fazer um curta-metragem que depois virou a ideia de uma ideia de série, e enfim, no formato de longa-metragem, que durou quatro anos para ser feito. Como você me vê é um filme que fala sobre a arte de representar.

As pessoas acham que só por te ver numa novela ou num filme, mesmo que sendo uma ponta, você já atingiu ao seu objetivo, e não é bem assim, muitas vezes o ator precisa de outras profissões para se bancar e você fala isso no documentário.

Total, total, é uma coisa que eu realmente fiz questão de abordar, esse leque que o artista precisa abrir né. Eu por exemplo trabalhei em loja, evento, festa infantil, até conseguir ganhar meu dinheiro.

Shakespeare, Bretch e Chaplin tem uma importância muito grande no processo de construção do ator, você acha que um sobressai mais ao outro?

Nossa! Eles são completamente importantes na nossa formação, na faculdade que eu me formei, um ponto muito forte era formar o ator compositor, o ator que na realidade, está além da atuação. Claro que tem toda a pesquisa de você se entender como ser humano, mas você vai além. Você acaba compreendendo o todo. Na nossa formação, a gente tem todo um exercício segmentado de texto, de palhaçaria, a gente também aprendia da concepção teatral como cenário e luz.

Você falou de Chaplin. Ele era um maestro. Ele tava ali de frente, de lado, de costas, ele tava num todo. A obra dele era composta completamente por ele. Ele atuava em todas as áreas. E você vê tudo àquilo de uma forma mágica, de entrega, de completude.

E quem vem primeiro para você como referencia?

Eu acho que Chaplin é um mito, né, Brecht me influenciou como artista, mas Chaplin tem uma referencia mais direta.

O documentário é uma coprodução com o Canal Brasil, qual é a importância do canal para o filme e para cultura brasileira?

A parceria com eles entrou no terceiro ano do filme, no último de filmagem. E ai quando eles entraram foi de uma forma muito potente. E ajudando a gente da o start, o respiro final para concluir o filme. Senão, o projeto possivelmente ficaria engavetado, como muitos outros.

O Canal Brasil é o grande pai dos realizadores independentes. Poderia dizer que é mãe, né, é aquele que cuida. Aquele que tá ali do lado, que dá a mão, que ajuda da forma mais plena.

O Canal Brasil tá sendo muito importante para o cinema independente, cada vez, hoje em dia. Ele da oportunidade para os realizadores que não tem espaço, conseguirem fazer, conseguindo realizar.

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