Após 44 anos da única montagem que teve no Brasil (1974), o musical está de volta aos palcos brasileiros pelas mãos de Charles Möeller & Claudio Botelho.

O 43º espetáculo da dupla está em cartaz no  Teatro Clara Nunes, com um elenco de 19 atores liderado por Felipe de Carolis, Totia Meireles, Nicette Bruno e Jonas Bloch e oito músicos.  ‘Pippin’ é uma comédia cínica, que traz um protagonista absolutamente moderno, cheio de dúvidas e questionamentos, com um vazio existencial que jamais será preenchido. É um dos motivos pelo qual é chamado de ‘Hamlet’ dos musicais. Ele rejeita antigos clichês e quebra com algumas tradições do gênero.

Charles Möeller adquiriu os direitos do espetáculo com Claudio Botelho após o revival da peça na Broadway em 2013. Foram necessários quase cinco anos para levantar toda a produção, que envolve um número grande de atores e músicos em cena. Com total liberdade de criação, Möeller & Botelho vão manter em cena o clima de magia que envolve a obra original, a começar pelo número inicial, o clássico ‘Magic To Do’. ‘O musical fala muito sobre a decisão entre enfrentar um mundo real ou permanecer em um mundo de aparências ou de magia, como o que é mostrado em cima de um palco. É um tema muito atual, em um mundo de redes sociais e realidades falseadas’, analisa Möeller.

Além de toda a sua arrojada dramaturgia, ‘Pippin’ tem ainda uma das mais complexas partituras coreográficas do teatro musical contemporâneo. Dirigido e coreografado originalmente pelo ícone Bob Fosse (1927-1987), o espetáculo conta agora com o coreógrafo Alonso Barros, especialista no estilo de Fosse, responsável por criar toda uma cartilha própria que virou referência em uma série de musicais que foram produzidos nas últimas décadas.

 Até a estreia desta nova versão, a saga de ‘Pippin’ tinha chegado aos palcos brasileiros apenas uma única vez, em 1974, em uma montagem que marcou época, com direção de Flávio Ragel e protagonizada por Marília Pêra (Mestra de Cerimônias) e Marco Nanini (Pippin). Coincidentemente, foi o primeiro musical visto por Totia Meireles, na época em 14 anos, quando começou a sua história de amor com os palcos.

‘Pippin’ estreou em outubro de 1972 no Imperial Theatre, em Nova York. Stephen Schwartz vinha de um sucesso no off-Broadway (‘Godspell’) e a partir daí se tornou um requisitado compositor, com trabalhos no cinema que lhe renderam três Oscars por conta de ‘Pocahontas’ (1995) e ‘O Príncipe do Egito’ (1998). Em 2003, ele retorna ao teatro e assina letra e música de ‘Wicked’, musical responsável por quebrar recordes de bilheteria ao redor do mundo em diversas montagens.

‘Pippin’ fez uma revolução na Broadway na época de sua estreia, em 1972. Com uma estrutura ousada e a aposta na metalinguagem, o musical arrebatou cinco Tony Awards ao contar a fábula do príncipe Pippin, o herdeiro do trono do Rei Carlos Magno que segue uma atribulada jornada existencial em busca do sentido da vida. Contada por uma trupe teatral, a saga é conduzida por uma Mestra de Cerimônias e pela música de Stephen Schwartz, autor de ‘Godspell’ (1971), ‘Wicked’ (2003) e vencedor de prêmios como o Oscar, o Grammy e o Globo de Ouro.

A encenação original de ‘Pippin’ teve onze indicações ao Tony e levou cinco prêmios: Melhor Ator, Cenografia, Iluminação e Bob Fosse ganhou os de Melhor Direção e Melhor Coreografia. Em 2013, uma remontagem da American Repertory Theatre dirigida por Diane Paulus chegou na Broadway com imenso sucesso, ficou em cartaz por quase dois anos e arrebatou quatro prêmios Tony.

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