francisco, el hombre é um projeto visceral que expurga vivências, urgências e o que mais estiver entalado na garganta por meio de canções. Após dois anos do lançamento do disco de estreia SOLTASBRUXA, o grupo apresenta a primeira música do seu próximo trabalho, previsto para o começo de 2019. Intitulado “O Tempo É sua Morada”, o novo single aponta, de forma singela, o caminho para ressignificar o luto, desapegando da presença material dos entes queridos. Ao cantar “não vou esquecer, vou te celebrar”, a banda faz referência aos festejos mexicanos do Dia de Los Muertos. Não à toa, a música chega às plataformas de streaming no dia 2 de novembro. “O Tempo É sua Morada” ganhou também um registro audiovisual, disponível no canal de YouTube da francisco, el hombre (assista aqui).

O projeto foi selecionado pelo edital Natura Musical 2017. Cada integrante da banda já lidou com a morte e com o luto à sua maneira. A letra de “O Tempo É sua Morada” veio da experiência de Juliana Strassacapa (voz e percussão). “A minha maior perda foi a da minha mãe e, desde 2011, tento escrever sobre ela de maneira positiva, mas sem muito sucesso”, conta. “Ao celebrar a sua memória e trocar o ângulo das saudades, cheguei em um lugar de cura e a ferida cicatrizou”, completa.

Sempre com esmero na produção dos seus videoclipes, a francisco, el hombre repetiu a parceria com os diretores de cena Los Pibes (Raphael Pamplona e Caio Amantini), da Awake Film, no registro audiovisual de “O Tempo É sua Morada”. “Após muitas pesquisas, chegamos a conclusão de que a melhor maneira para falar sobre a ressignificação da morte seria mostrar que ela pode ser, ao mesmo tempo, o fim para uma pessoa e o começo para outra”, comenta Raphael Pamplona. “O vídeo trata da aceitação do personagem, que briga consigo o tempo todo. A sua luta é para lidar com o sofrimento que é a morte da sua esposa, deixando-a livre para ir embora”, completa Caio Amantini.

Com a repercussão do registro, o grupo formado por Juliana Strassacapa, Mateo Piracés-Ugarte, Sebastián Piracés-Ugarte, Andrei Martinez Kozyreff e Rafael Gomes percebe potencial para dar início à uma campanha de conscientização sobre a doação de órgãos, já que a única forma de ser um doador pós-morte é discutir o assunto, em vida, com os seus familiares. O vídeo, inclusive, conta com o respaldo da ABTO – Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos. “De nada vale um coração desperdiçado debaixo da terra, que ele sirva à outra vida que está precisando”, diz Juliana. Ela cita como trecho marcante do vídeo o momento em que o personagem encosta o ouvido no peito da menina que recebeu o coração da sua companheira: “O pulso é um dos sons mais lindos da natureza, é a vida resumida num mantra”.

 

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