Por décadas a questão mais abordada na história do Rio de Janeiro é a segurança pública. Por todo Brasil a violência do fluminense é conhecida, e alvo de análise do documentário Relatos do Front, que aborda todos os lados dessa guerra que a população fluminense vive. Da população pobre e negra que sofre e morre, e dos policiais que matam e morrem.

A abertura do filme é um lamento, na realidade, apenas a câmera cobrindo um confronto entre policiais e bandidos, que resultam em morte. Tudo sendo conduzido por um coral muito melancólico, que dá o respaldo do propósito dessas cenas, servir de lamento. A direção de Renato Martins se mostrou primorosa tanto nessa questão do uso de trilhas pra direcionar os sentimentos, quanto as outras partes mais técnicas, como enquadramento das entrevistas e a própria montagem do longa.

O pluralismo é muito presente, os múltiplos pontos de vista que existem no ambiente da violência, no qual não há apenas um culpado. Se demonstra como a população pobre e de favela sofre sendo perseguida como os velhos escravos eram, a favela é o novo quilombo. E os policiais são doutrinados a serem os Capitães do Mato, os Cães de Guerra, que a Sociedade acha que eles têm que ser. O documentário tira a culpa dos indivíduos, e a direciona para o Estado, ou melhor, para a Sociedade, pois ela é a verdadeira culpada.

A obra se encerra com o questionamento de quem lucra com esses anos todos de violência sendo respondida com mais violência ainda. Porque se é isso que a sociedade exige e ao mesmo tempo crítica, ela está doente. Quem lucra? Não são os moradores da favela, nem os policiais, nem os moradores comuns, mas o Poderosos, aqueles que matam com um movimento da caneta.

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