Na quinta-feira dia 14 de Fevereiro estreia nos cinemas nacionais, Tito e os Pássaros, de Eduardo Benaim e Gustavo Steinberg, acumula incontáveis indicações internacionais.

Tito é filho de Rosa e do Dr. Rufos, um cientista e inventor que jura poder construir uma máquina que se comunica com os pássaros.  Quando numa tentativa de pôr a sua invenção em prática termina com um incêndio que quase tira a vida do seu filho Tito, Rufos é expulso de casa por Rosa. Enquanto isso a cidade onde vivem passa por uma onda de medo propagada pelo apresentador e empresário do ramo imobiliário Alaor Souza, que usa de seu império para promover uma campanha de medo sobre uma nova epidemia que aflige à população, e incentiva que as pessoas se mudem para seu mais novo empreendimento, um condomínio fechado por uma redoma de vidro. A trajetória de Tito é descobrir a cura para a epidemia, e para que isso seja possível, ele deve resgatar o projeto do pai para tentar se comunicar com os pássaros que detém a resposta.

O roteiro do longa é fundamentado na jornada do herói, vivido por Tito. A ideia original, tendo seu primeiro argumento sido escrito há cerca de dez anos, é simplesmente visionária. O filme aborda uma das mais atuais questões vividas não só no Brasil, como no mundo, que é a ideologia do medo propagado pelas Fake News. Seria difícil pautar algo mais atual que isso.

A metáfora da epidemia onde as pessoas se contaminam pelo medo e se transformam em pedra, e sua resolução, nada mais falam do isolamento do ser humano da sua natural necessidade de agrupamento social. Deste isolamento surge o medo que cresce à medida que nos vemos sozinhos e sem amparo. Cada vez mais dependentes dos dispositivos de comunicação, a sociedade se torna presa fácil da manipulação em massa por veículos que propagam notícias de todos os gêneros.

A ideia dos pássaros é carregada de simbolismos, especialmente pela espécie escolhida.
Tito e os Pássaros, segundo o diretor Gustavo Steinberg, poderia perfeitamente se chamar Tito e os Pombos, afinal, os pássaros abordados na animação são todos pombos, no entanto, houve uma natural preocupação com a fama ruim que os pássaros carregam, especialmente relacionadas à saúde pública. No entanto, ele explica que o pombo carrega fortes significados. É o pássaro que simboliza a esperança e a união. O pombo também era usado por gerações passadas como “correio”. Ele levava e trazia notícias, e isso tem tudo a ver com a temática do filme. Além disso, uma das coisas salientadas pelo diretor, é que os pombos convivem com os homens em seu habitat natural, as cidades. E nos observam de perto, dando a entender que nos compreendem de certa forma. Em um turning point na trama, um oráculo em forma de um mendigo, diz para Tito: “Os pombos são livres e rejeitados”, e isso é importante para que Tito ache o caminho para solucionar o problema.

A estética do filme é linda! O diretor de arte Gabriel Bitar nos conta que a decisão de trabalhar inspirados em pinturas à óleo partiu de uma discussão entorno do tema. A ideia era focar na expressão dos personagens. E foram buscar no expressionismo a inspiração que os levou a decisão de apostar na estética dos quadros de artistas desse movimento. Que decisão acertada! O resultado é lindo! Junto à isso está aliada uma trilha magnifica que empresta muita dramaticidade ao longa. Gustavo Kurlat e Ruben Feffer foram ao Abbey Road gravar esta magnífica trilha orquestrada. Em um dos trechos, Kurlat nos explica que uma música “normal” tem de 3 a 4 tempos. E em algumas músicas há até 13 tempos, todos escalonados para dar ritmo e emoção à jornada do protagonista.

Gustavo Steinberg comenta ainda a surpresa com tanta repercussão e a felicidade com as indicações e o reconhecimento da obra mundialmente. Com uma equipe considerada grande para os padrões do Brasil (120 pessoas), mas bem pequena em comparação às produções de animações internacionais, Tito e os Pássaros teve também um orçamento considerado baixo para seu incrível resultado. Cerca de 1 milhão de dólares.

Por se tratar de uma animação, não podemos deixar de comentar sobre o impacto que o filme causa no púbico infantil. Crianças que assistiram às pré-estreias tiveram reações surpreendentes.

Gustavo e Eduardo quiseram contar uma história sobre o medo e tiveram muito cuidado para não transmitir esse medo do jeito errado. Mercadologicamente ainda é um filme para crianças. Então o principal, além de passar uma mensagem importante, seria manter a aventura para divertir e entretê-las.

Tito e os Pássaros é uma animação com muita aventura, emoção e lições, mas não só para crianças, mas principalmente adultos, ao abordar um tema complexo com seus filhos, sobrinhos, netos… Excelente e emocionante!

 

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