Por Gabriel Alviano

Para os cinéfilos de plantão, só o nome Terry Gilliam já é motivo de atenção. Não só ele é o diretor de grandes filmes como Brazil e Os Doze Macacos, mas também por ser um dos principais integrantes do grupo de comédia Monty Phyton. Agora, para os cinéfilos mais intensos, o título O Homem que Matou Dom Quixote é motivo de atenção redobrada.

Em produção por mais de 20 anos, o mais novo filme chegou a se tornar uma das histórias mais estranhas do mundo cinematográfico e chegou a render até um documentário em 2002, Perdido em La Mancha, que conta todos os problemas que a produção enfrentou quando tentou filma-lo pela primeira vez.

Toby (Adam Driver) é um jovem diretor de cinema, que está filmando sua versão da obra prima de Miguel de Cervantes. Por ironia do destino, Toby encontra uma versão do mesmo filme feita por ele quando estava na faculdade. Após descobrir estar próximo da vila onde filmou sua primeira versão, ele decide visita-la e conversar com os moradores que participaram do filme. Ele, então, descobre que seu filme arruinou a vida dos moradores da vila e transformou o protagonista em um louco, que acredita ser o verdadeiro Dom Quixote. Toby acaba se juntando a ele como seu Sancho Pança e juntos eles se aventuram mundo afora.

A assinatura de Gilliam é muito presente no filme, desde o seus enquadramentos distorcidos e figurinos extravagantes até o seu roteiro, em que levanta questionamentos de sanidade. Por conta de seu histórico problemático com a produção do filme, o diretor não perde a chance de brincar com isso no filme. Com produtores que questionam o orçamento e uma chuva capaz de destruir o equipamento de filmagem.

Essa metalinguagem é muito presente, principalmente no início do filme e, em alguns momentos chega a lembrar bastante o famoso 8 ½ de Fellini. Ao tratar de um diretor atormentado por produtores e sem inspiração para sua obra.

O roteiro flui levemente de uma trama para outra. É fácil para o espectador sair de uma gravação cinematográfica para uma aventura na Espanha medieval, além disso, em diversos momentos, o filme é capaz de confundir a percepção entre o que é real e o que é encenação.

Terry Gilliam mostra em O Homem que Matou Dom Quixote, uma obra muito sensível e bela. As atuações de Adam Driver e Jonathan Pryce são simples e tocantes, principalmente por parte de Pryce. Em um simples olhar, ele deixa de ser um nobre cavaleiro para um senhor atordoado e senil.

É seguro dizer, a todos os cinéfilos de plantão, que valeu a pena esperar por esses vinte anos. O filme é lindo e encantador, capaz de agradar a vários públicos.

 

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