Por Claudio Verdugo

Segundo dados do Grupo Gay da Bahia, a cada 19 horas uma pessoa homossexual é assassinada no Brasil, fazendo com que o país se torne o que mais mata pessoas LGBTQI+ no mundo todo. A ONG já realiza este trabalho há mais de 40 anos e segundo o último relatório de 2018 o número foi de 420 mortes.

No último domingo (23), ocorreu a 23a edição da Parada do Orgulho LGBTQI+ , em São Paulo, reunindo cerca de 3 milhões de pessoas na Avenida Paulista, segundo os organizadores do evento. A parada reuniu muitas atrações musicais com artistas LGBTQI+ e apoiadores da causa. De fato, é evidente que desde sempre a música é palco e espaço para expressão, protesto e voz a todas estas pessoas, e se hoje temos uma gama muito maior de artistas envolvidos com a causa ou mesmo que fazem parte da comunidade é porque o mundo já demonstra sinais de tolerância e maior e respeito. A música brasileira sempre foi muito plural e diversa, mas os nomes de maior destaque ainda são em sua maioria todos declaradamente heterossexuais e isso se entrelaça com os números de morte de pessoas LGBTs e todo preconceito enraizado que ainda existe na indústria musical nacional e também no país como um todo.

E ainda há no senso comum de toda a população, de que muitas vezes nosso trabalho é promiscuo, degradante e apelativo, quando a maioria dos artistas heterossexuais fazem o mesmo e não precisam se justificar por escolhas artísticas em sua carreira. Somos marginalizados até no meio artístico, me parece que temos de sempre buscar a licença poética e a aprovação da sociedade hétero-normativa para se ter algum mero respeito e apreço do publico.

Em celebração a última edição da Parada do Orgulho, a data de comemoração do Dia do Orgulho LGBT , escolhi 4 novos nomes da música brasileira que reforçam o orgulho LGBT.

Todo o cenário vem mudando com ascensão de nomes de peso e de muito talento nos últimos anos, um deles é Johnny Hooker, um cantor declaradamente gay com mais de 10 anos de carreira e natural de Recife, o cantor usa e abusa de suas performances dotadas de muita maquiagem e de seus looks extravagantes que já lhe renderam até mesmo comparações com Ney Matogrosso, mas segundo o próprio a inspiração mesmo vem da tríade David Bowie,Madonna e Caetano Veloso, que ele define como painho, mainha e o Espírito Santo, em entrevista a revista Época.

No ano passado o cantor lançou a música “Flutua” em parceria com a cantora Liniker, um grande hino sobre celebrar o amor onde em seus versos ele diz “Ninguém vai poder querer nos dizer como amar”.

Outro nome de destaque da chamada nova MPB é o cantor capixaba Silva, que já possui cinco álbuns de estúdio gravados, ele é declaradamente bissexual e já fez até um videoclipe onde celebra a diversidade e a desconstrução das relações não monogâmicas no vídeo de “Feliz E Ponto”. No ano passado o cantor recebeu a benção da musa Marisa Monte, no qual ele regravou canções da cantora criando suas versões próprias.

 A carioca, Mulher Pepita, alcançou notoriedade como uma das primeiras funkeiras transsexuais do Brasil, ficando famosa na cena LGBT após seus vídeos se tornarem famosos no YouTube, desde então ela não parou mais, tendo lançado um EP e um álbum de estúdio, durante o evento Women’s Music Event Awards, cerimonia que premia mulheres que se destacaram na indústria fonográfica durante o ano promovido pela Vevo. No evento, ela fez um discurso emocionante, “Eu sempre vou bater na tecla que eu sou travesti, vou morrer travesti e nasci uma travesti. E nunca vou ter vergonha disso, porque eu sou feliz assim”.

Maria Beraldo é uma cantora paulistana estreante com seu disco “Cavala (2018)” e muito elogiada pela crítica, ela mostra toda a narrativa e o grito da liberdade de uma mulher lésbica em suas canções, que  mescla camadas eletrônicas e instrumentos orgânicos, na faixa “Amor Verdade” ela questiona a própria sexualidade “Pai, gosto muito dos homens, sim / De tê-los ao alcance da boca, sim / Mas no calor da manhã quem me fez delirar foi uma mulher”.

A música será sempre uma forma de expressão muito potente para as nossas diferenças, sejam elas de qualquer tipo, é a arte de representação que pode até mesmo nos salvar diante da realidade cruel na qual muitos de nós (os LGBTs) estão inseridos, ela é a salvação para que todos esses artistas coloquem todas as suas vivências em um país extremamente conservador, homofóbico e patriarcal, ela é a saída para que todos possam encontrar um lugar de conforto e acolhimento, e mais do que isso, fazendo com que a voz de muitos destes artistas possam reverberar e ajudar a tantos outros, gritos estes que são como consolos e amparo para todos da comunidade. Devemos ter orgulho de quem somos, nossa diversidade é uma dádiva, nossos corpos são livres e nossa orientação sexual faz parte da natureza humana e não pode ser alterada e não atoa nossa bandeira de orgulho é arco íris justamente para demonstrarmos que a sexualidade humana é diversa em sua totalidade.

 

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