No próximo dia 21 de junho, data em que se comemora 100 anos de nascimento de Nelson Gonçalves, será lançado pelos Correios nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Santana do Livramento (RS), o selo oficial do centenário. Cada selo será vendido a R$ 1,30 a unidade. As peças estarão disponíveis nas principais agências do país e na loja virtual dos Correios .

 Considerado o maior intérprete do Brasil, dono de uma voz única, Nelson Gonçalves vendeu mais de 80 milhões de discos e conquistou o título, nos anos 40, de “O Rei do Rádio”. Foi único brasileiro a ser agraciado com o Prêmio Nipper, ao lado de Elvis Presley, por ter permanecido durante 5 décadas na mesma gravadora.

Com foto de Cristina Granato e arte da Rock Comunicação, a peça é estampada com a imagem do artista em preto e branco, e uma aplicação dourada nos dizeres “Nelson Gonçalves – Centenário”; mais abaixo a frase “A maior voz do Brasil”. A emissão tem tiragem de 20 mil folhas, cada uma com 20 selos. A filha do cantor, Margareth Gonçalves, se emociona ao comentar: “Tenho grande orgulho do meu pai, sou grata à vida por ter me colocado ao seu lado, trabalhando por mais de uma década como sua empresária; agradeço muito aos Correios por ter programado essa homenagem”. Sua irmã, Lilian Gonçalves, destaca a importância da obra do cantor para o país: “O Brasil precisa olhar para sua história e lustrar a memória dos seus grandes nomes, que fazem a cultura brasileira, especialmente a música, que tem reconhecimento internacional. Basta lembrar a frase de Frank Sinatra: a mais bela voz do mundo é de um brasileiro, e ele se chama Nelson Gonçalves!” O lançamento em São Paulo será no Bar do Nelson, em Santa Cecília, a partir de 21h.

Antônio Gonçalves Sobral foi seu nome de registro, que depois foi alterado em cartório pelo artista: “Ele decidiu mudar para Antônio Nelson Gonçalves”, diz Margareth. Nascido em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, mudou-se para São Paulo ainda criança. O jovem franzino e um pouco gago, conhecido como “metralha”, trabalhou como jornaleiro, mecânico, engraxate e lutador, mas tinha na música sua grande paixão.

      Nelson foi aluno do maestro Bellardi, que o aconselhou a se dedicar ao estilo popular. No final da década de 1930, foi para o Rio de Janeiro para participar de testes nas principais emissoras de rádio da época. Sem conquistar espaço, escutou até de Ary Barroso que devia “retornar a São Paulo para desenvolver-se em alguma outra profissão”. Foi na capital paulista que, a partir de outros contatos e muita insistência, recebeu o primeiro convite para gravar, a valsa de Orlando Monella e Oswaldo França, “Se Eu Pudesse um Dia”. Esse foi o começo de sua carreira, com a gravação do primeiro disco, em 1941, um 78 RPM contendo o samba “Sinto-me Bem”, de Ataúlfo Alves. Mais tarde, fechou contrato com a gravadora RCA Victor e com a rádio Mayrink Veiga.

     Nelson Gonçalves (1919-1998) se dedicou à música por cinquenta anos, teve 81 milhões de cópias vendidas; 2.740 canções gravadas em 183 discos em 78 rpm, 128 LPs e 300 compactos; conquistou 38 discos de ouro e 20 de platina. Na última década de vida, foram lançados mais de 20 CDs com suas interpretações. O último, “É Cedo”, rendeu-lhe o Disco de Ouro, por ter vendido mais de 100 mil cópias em 3 meses, marca atingida por poucos artistas de sua época.

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