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Kiko Mascarenhas retrata memórias, em peça sobre suicídio

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Você já imaginou fazer uma lista com as coisas maravilhosas da vida? Foi isso que motivou um menino de sete anos, em 1971, de um dia de setembro, à ajudar sua mãe. Um gesto simples, que pode mudar muitas coisas, sentimentos, pessoas. Assim, Kiko Mascarenhas seguiu por muito tempo, tentando abrir os olhos da mãe por partículas de felicidade. “Todas as Coisas Maravilhosas” é sobre isso, olhar para dentro e para fora e se permitir perceber o que te faz feliz. Parece bobo, né, mas não é. Quantas vezes você já parou para pensar se você é feliz ou está apenas sobrevivendo?

Kiko Mascarenhas nos faz rir, chorar, nos emocionar, com a sua história de vida. Num clima nostálgico, o monólogo adentra o espaço e toma conta do espectador, com muita leveza e cuidado. O ator conquista à todos com suas memórias ali presentes, revisitadas com muito carinho e emoção por ele.

Durante a peça, ele convida o espectador a participar, com muita destreza. Na noite de 30 de junho (de 2019), o ator Caco Ciocler, por acaso, foi ver o espetáculo, e acabou virando personagem, um personagem muito especial, aliás, o pai de Kiko.  É interessante ver como a dinâmica entre ator e espectador funciona, falo por todos que participaram. Eles se envolvem no enredo, embargam a voz, encarnam trejeitos, com apenas algumas palavras de Mascarenhas ao dirigi-los. Foi um momento único! E bonito, muito bonito!

O monólogo é muito mais do que um momento para relembrar lembranças, ele fala de uma doença que atinge a população todos os dias: o suicídio.  Fernando Philbert dirige o ator nessa nova empreitada, com brilhantismo (de ambos). “Todas as Coisas Maravilhosas” traz um texto consciente com humor sobre perdas e depressão. A peça, querendo ou não, faz um alerta muito importante sobre a dificuldade do ser humano, em seguir em frente, em olhar o mundo com mais leveza, não se exigir demais, em se permitir ser cuidado. A depressão mata todos os dias.

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