Monólogo teatral “Traga-me a cabeça de Lima Barreto”, interpretado por Hilton Cobra, faz única apresentação na Sala Cecilia Meirelles, Lapa.

Inspirado livremente na obra de Lima Barreto , especialmente em Diário Íntimo e Cemitério dos vivos, “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” reúne trechos de memórias impressas nas obras de Lima Barreto, entrecruzadas com livre imaginação. O texto de Luiz Marfuz foi escrito especialmente para Cobra, que celebra 40 anos de carreira artística, e tem direção de Fernanda Júlia (do NATA – Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas).

A peça mostra uma imaginária sessão de autópsia na cabeça de Lima Barreto, conduzida por médicos eugenistas, defensores da higienização racial no Brasil, na década de trinta. O propósito seria esclarecer “como um cérebro considerado inferior poderia ter produzido uma obra literária de porte se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças tidas como superiores?”. A partir desse embate, a peça mostra as várias facetas da personalidade e da genialidade de Lima Barreto, refletindo sobre loucura, racismo e eugenia, a obra não reconhecida e os enfrentamentos políticos e literários de sua época.

Nesses doze meses, “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” esteve em cartaz no Rio de Janeiro, São Paulo , Teresina e Salvador – onde recebeu três indicações ao Prêmio Braskem de Teatro 2017 (espetáculo, texto e ator, para Hilton Cobra). Ainda em 2017 “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” esteve na Flip, dentro da programação em homenagem ao escritor Lima Barreto, em única apresentação e com ingressos esgotados.

“Traga-me a cabeça de Lima Barreto” marca um reencontro de Cobra com a obra do escritor – em 2008, o ator protagonizou a versão cênica de Luiz Marfuz para o clássico da literatura O Triste Fim de Policarpo Quaresma. Desta vez, a peça é inspirada livremente em romances, contos e crônicas Lima, especialmente Diário íntimo e Cemitério dos vivos, consideradas autobiográficas. Trechos dos livros e da vida breve do escritor – viveu apenas 41 anos – se entrecruzam com uma situação imaginária e se espalham em quatro espaços dramatúrgicos: o colóquio com a plateia; as confissões íntimas; a voz do delírio e o discurso dos eugenistas. Todos se enredam nos fios nervosos da cabeça encantada de Lima Barreto.

Serviço:
“Traga-me a cabeça de Lima Barreto”
18 de junho – 19h30
Local: Sala Cecilia Meirelles (Largo da Lapa, 47, Centro)

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