A mostra Claudia Andujar – A luta Yanomami inaugura no IMS Rio, no dia 20 de julho, às 17h, após trajetória exitosa no IMS Paulista. Com curadoria de Thyago Nogueira, a exposição reúne centenas de fotografias, desenhos, uma instalação audiovisual, além de livros e documentos que traçam um panorama da dedicação de Andujar aos Yanomami. Na abertura (20/7), às 17h, haverá uma conversa no auditório do IMS Rio com Claudia Andujar, o líder indígena Davi Kopenawa Yanomami e o curador. O evento é gratuito e aberto ao público.

A seleção é resultado de pesquisa inédita, de muitos anos, no acervo de mais de 40 mil imagens de Andujar, realizada por Nogueira, coordenador da área de fotografia contemporânea do IMS. Em dezembro deste ano, a exposição segue para a Fundação Cartier de Arte Contemporânea, em Paris.

A mostra é dividida em duas partes. A primeira apresenta a fase inicial de sua carreira, com fotografias produzidas entre 1971 e 1977, na região do Catrimani, em Roraima. Andujar acompanhou as atividades diárias na floresta e na maloca, os rituais xamânicos e retratou os indivíduos. O mergulho entre os Yanomami foi possível graças a uma bolsa da Fundação John Simon Guggenheim. Segundo Nogueira, “os anos de dedicação profunda fizeram com que Andujar transformasse o interesse jornalístico e antropológico em uma interpretação radicalmente original da cultura, feita com imagens”.

Nessa parte, é possível acompanhar as primeiras viagens da fotógrafa ao território Yanomami, sua aproximação com a nova cultura e o amadurecimento do trabalho. Conforme passava mais tempo na floresta, Andujar aprofundava-se na rotina indígena, acompanhando viagens, festas e expedições de caça.

Um dos conjuntos mais impactantes do período é o registro das festas reahu, as complexas cerimônias funerárias e de aliança entre comunidades, marcadas por ritos específicos e pela fartura de comida. Andujar desenvolveu experimentos em São Paulo, com flashes, lamparinas e filmes infravermelhos, que depois aplicou na mata. Os registros traduzem o universo espiritual, dando forma concreta a um mundo abstrato. “Ao interpretar com imagens, e não palavras, como faziam a antropologia e o jornalismo, Andujar também oferecia uma nova camada de significados”, afirma o curador.

Depois de conviver algum tempo com os Yanomami, Andujar propôs que eles próprios representassem seu universo. Em 1974, levou ao Catrimani papéis e canetas hidrográficas e deu início a um projeto de desenho, dois anos depois ampliado com uma bolsa da Fapesp. Cerca de 20 desenhos originais de mitos e cenas do cotidiano Yanomami são apresentados na mostra.

Em 1977, a fotógrafa foi expulsa pela Funai e impedida de voltar à área indígena. A segunda parte da exposição concentra-se no contato brutal dos indígenas com a civilização branca e na luta empreendida por Andujar para proteger o povo que adotara como família. Entre os anos 1970 e 1980, os investimentos na Amazônia feitos pelo governo militar deixaram um rastro de doenças, violência e poluição, que aniquilou comunidades indígenas inteiras.

Durante a campanha, Andujar mobilizou organizações nacionais e estrangeiras, levantou fundos, escreveu manifestos e correu o mundo para denunciar o descalabro. Também desenvolveu programas de saúde e educação, com os quais percorreu toda a extensão da terra indígena. Na série conhecida comoMarcados, fotografou os Yanomami de várias regiões para os cadastros de saúde e vacinação. A exposição apresenta conjuntos inéditos dessa série, encontrados no arquivo da fotógrafa.

“Estou ligada ao índio, à terra, à luta primária. Tudo isso me comove profundamente. Tudo parece essencial. Talvez sempre procurei a resposta à razão da vida nessa essencialidade. E fui levada para lá, na mata amazônica, por isso. Foi instintivo. À procura de me encontrar”, conclui a artista em texto publicado no extenso catálogo da mostra, que reúne todas as imagens da pesquisa, além de farta documentação, cronologia detalhada e outros materiais inéditos.

Esta exposição dá sequência à pesquisa realizada para a mostra Claudia Andujar, no lugar do outro (ims Rio, 2015), também com curadoria de Thyago Nogueira, que apresentou a primeira parte da carreira da fotógrafa.

Serviço
Claudia Andujar – A luta Yanomami
Visitação: 21 de julho até 10 de novembro
Entrada gratuita
IMS Rio (Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea)
Conversa de abertura, com Claudia Andujar, Thyago Nogueira e Davi Kopenawa
20 de julho (sábado), às 17h
Auditório do IMS Rio
Entrada gratuita, com distribuição de senhas 30 minutos antes e limite de 1 senha por pessoa

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