Entre 3 de agosto e 2 de setembro, a Galeria Branca do Espaço Cultural Municipal Sergio Porto recebe o projeto de arte integrada “Espaço público não é privada”, que reúne peça de teatro e exposição fotográfica dos artistas Roberto Souza e Isabella Castro. A dupla leva para a cena uma reflexão bem-humorada e poética sobre o uso exacerbado de histórias de amor como motivo principal para a produção artística. Ao longo do processo criativo, o que começou como uma montagem teatral se desdobrou também em registros visuais urbanos. São oito fotografias que trazem um elemento cênico da peça (uma privada de louça) em espaços públicos de várias cidades, interferindo na paisagem cosmopolita. Conectados pelo mesmo impulso criativo, os dois apresentam ainda, uma série de intervenções nas ruas da cidade ao longo da temporada.

No espetáculo teatral, Roberto Souza interpreta suas reais histórias de amor a partir de depoimentos sobre relações afetivas pessoais, dividindo a cena com Isabella Castro, que além de estar à frente da iluminação, cenário e figurino, opera também a técnica às vistas do público. O drama amoroso autobiográfico segue em paz até surgir o alter ego de Roberto, que demanda uma dramaturgia de cunho público para além de sua vida privada. O resultado é a criação de um “dueto teatral” onde Roberto e Isabella, através da arte, partilham amor com a plateia.

Se valendo de sua relação criativa e afetiva com Isabella Castro, que em 2018 se tornou sua parceira na vida e na criação, Roberto Souza monta uma peça que questiona o uso exagerado da vida pessoal na construção teatral. A dupla lança mão de uma cena performática justamente para ressaltar o caráter egocêntrico desse tipo de linguagem. “Ao teatralizar experiências amorosas reais, fazemos a seguinte provocação: será que peças obcecadas pela subjetividade de seus autores não encenam uma representação de mundo individualista?”, questiona Roberto Souza, que também assina a dramaturgia e dirige a montagem.

Na exposição fotográfica, as imagens de Isabella Castro capturam as intervenções urbanas realizadas pela dupla, ao inserir um elemento cenográfico da peça, a dita privada de louça, em espaços públicos em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo com o intuito de (re)significar a paisagem urbana. Esse street ready-made – em referência direta a Duchamp – questiona a função social e política do artista e seu processo de criação. “Um objeto absolutamente caseiro exposto à turbulência das ruas da cidade causa, certamente, uma experiência de descompasso. Alguma coisa está fora da ordem”, provoca Isabella.

“ESPAÇO PÚBLICO NÃO É PRIVADA”
Local: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto | Galeria Branca
Endereço: Rua Humaitá 163, entrada pela Rua Visconde Silva. Tel.: 25353846.

PEÇA TEATRAL:
Temporada: de 3 de agosto a 9 de setembro – de sábado a segunda, às 19h.
Duração: 55 min. Classificação etária: 12 anos. Capacidade: 35 lugares.
Ingresso: R$20 (inteira) e R$10 (meia)

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA:
Visitação: de 3 de agosto a 2 de setembro – de quarta a segunda, das 17h às 21h.
De sáb. a seg., haverá um intervalo entre 18h30 e 20h para a apresentação da peça.
Ingresso: gratuito. Classificação etária: livre.

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