“A Alma Imoral”, do Rabino Nilton Bonder, chega as telas do cinema desmitificando sua obra. O documentário, dirigido pelo cineasta Silvio Tendler, reflete sobre os conceitos de corpo e alma, tradição e transcendência, obediência e ruptura, através do livro “A Alma Imoral”, publicado pelo rabino Nilton Bonder.

A produção aborda questões como religião, ciência, território e fisicalidade a fim de discutir conceitos de corpo e alma, tradição e transgressão, obediência e ruptura, e, assim, partindo das concepções bíblica e científica, refletir sobre as diversas formas de viver, as escolhas que são feitas, e sobre como a ideia do “corpo moral” pode atrapalhar o desenvolvimento humano, o que leva à “transgressão da alma”. Capaz de romper com os padrões e com a moral, a alma é o componente consciente da necessidade de evolução e resgata a verdadeira possibilidade de imortalidade.

A sua obra se tornou um meio cultural de relevância com processos de linguagens diferentes como o cinema e o teatro, como você vê dimensão disso?
Rabino Nilton Bonder – Para mim é algo especial, não só pela dimensão da mídia viva, que é muito especifica, mas pelo fato de ser uma obra filosófica e ideológica. Já na peça, o texto ganha o palco com um tom mais psicológico, intimista.

O desafio de passar para tela revelou outros aspectos do próprio texto, para mim. E acredito que surge uma dimensão mais política. Cada entrevista foi dando um olhar diferente para o texto, então para mim foi muito rico.

Você participou do processo de adaptação? Como Foi essa relação?
Rabino Nilton Bonder – Totalmente, nos dois processos. Eu tive junto com a Clarice (Niskier) não só durante o processo de pesquisa, acrescentando material de outras obras ao texto da peça, mas também durante o processo de leitura. E agora com o filme também. O Silvio é uma pessoa muito conhecida, de experiência enorme e eu participei direto do processo, tanto no roteiro, quanto com relação aos personagens entrevistados. Me envolvi bastante em ambos os processos.

Eles foram acrescentando ideias à obra ou apenas um olhar diferente sobre a sua obra?
Rabino Nilton Bonder – Acho que em cada uma dessas etapas, tanto de uma mídia para outra, você tem certos desafios, né. Tanto a peça, quanto o filme, os dois se basearam no mesmo texto do livro.

O filme já vem com a ideia do sucesso da peça, então existe uma obrigação de estar à altura. Durante o processo de montagem, existiu a possibilidade de se filmar a peça, mas eu queria que fosse uma outra leitura, então, o filme ganhou um outro linear, com novas  características.

A produção se utiliza de performances dos atores como Mateus Solano e Julia Lemmertz, você se envolveu nas entrevistas?
Rabino Nilton Bonder – Na verdade, sou eu que faço as entrevistas e todos eles são personagens, do filme, que busca de certa maneira, personas que sejam de almas imorais, ou seja pessoas, que de alguma maneira, estejam na fronteira da sociedade, da civilização, negociando novas fronteiras, sejam na questão de gênero, cientifica, na questão das artes, politica, religiosa, etc. Eu busquei personagens que fossem transgressores, mas no sentido de pessoas que estão tentando de alguma maneira ampliar a própria consciência humana. Eu investi num filme que fale de pessoas da minha própria tribo. É um filme que tem uma pegada parecida com a da peça.

O filme foge da ideia de ser didático, ele conversa com a temática em si, A Alma Imoral é um documentário sobre mudança, sua inevitabilidade e suas consequências?
Rabino Nilton Bonder – O livro é poético, a peça é poética, mas o documentário foge um pouco disso por que o intuito dele é não buscar opiniões e documentar fatos, o sentido dele é traduzir o sentido do livro. Eu pego depoimentos que ilustram o texto do livro. É o livro no cinema. O livro é sobre esse lugar tão difícil que é a evolução. Eu posiciono justamente o corpo que é preservado, mantido, e a alma, que é um aspecto da nossa essência que é arriscar o homem do futuro, mesmo colocando em perigo, muitas vezes o passado.

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