A exposição “Carlos Vergara – Prospectiva” percorre a produção do celebrado artista, desde 2003 até obras recentes e inéditas, em que busca os sinais do sagrado em várias localidades. Entre os seus trabalhos inéditos e criados especialmente para a exposição estão pinturas de grande formato – as maiores já realizadas pelo artista – a partir de monotipias feitas no Cais do Valongo, na zona portuária carioca, onde chegaram os escravizados vindos da África, e nos trilhos do bonde em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, onde fica seu ateliê.  A curadoria da exposição é do próprio artista.

 Você afirma que seu trabalho não é um projeto cristão ou antropológico, seria possível defini-lo dentro de ideologias?
Carlos Vergara – Acho difícil. Não é religioso no sentido convencional. A questão do sudário, que é parte do trabalho, procura sinais do inefável nos lugares por onde eu viajo. E quando viajo a ideia é fazer uma imersão, não simplesmente turismo.

A curadoria da exposição é sua, um olhar de fora atrapalharia no conceito de “Prospectiva”? Porque assumir tanta responsabilidade?
Carlos Vergara – Não atrapalharia. Mas a ideia que tive foi de construir eu mesmo uma imagem geral prospectiva do meu trabalho e para isso eu seria o melhor curador.

“Prospectiva” percorre a sua produção desde 2003 até obras recentes e inéditas, o que te levou a fazer uma retrospectiva do seu trabalho? Teve um ponto de partida? Gostaria de saber, o que em tempos atuais, te inspira a pintar?
Carlos Vergara – Não é uma retrospectiva, são trabalhos que se entrelaçam e que estão presentes no agora sem interrupção. O poeta Manoel de Barros responde por mim essa pergunta quando ele diz: “imagens são palavras que nos faltaram”.

Nessa exposição você faz uma releitura de sua icônica obra “Empilhamento”, porque recria-la?
Carlos Vergara – Porque ela continua, a meu ver, atual. Como disse Graciliano Ramos quando estava preso no presidio da Frei Caneca: “estamos nós aqui empilhados feito bonecos”. Essa frase continua vigente.

O MAM irá expor um conjunto de obras suas em “Alucinações à beira-mar”, com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, você ajudou no processo de criação?
Carlos Vergara –  Não, foi um projeto de autoria deles. Eu fui ver a montagem pronta e confesso que gostei. Fernando e Fernanda têm feito um trabalho muito bom com as coleções do Museu, como pode ser visto nas exposições que têm acontecido.

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