Por Mallu Correa

Depois do casamento é um remake de um filme dinamarquês de mesmo nome, que foi feito em 2006. Apesar de muito fiel aos acontecimentos do longa original, nesse temos um roteiro que busca se desafiar e mudar o gênero das personagens principais. Enquanto no primeiro temos Mads Mikkelsen e Rolf Lassgard como protagonistas, agora nossos olhos estão em Michelle Williams e Julianne Moore. A trama conta a história de uma americana que trabalha em um orfanato na Índia, com muitas dificuldades para manter, ela acaba recebendo uma proposta de doação de uma grande empresária nos Estados Unidos. Quando ela chega para fechar o contrato, acaba descobrindo que as razões da doação podem ser muito maiores do que apenas altruísmo.

O filme é um drama familiar complexo, com diálogos bem cruéis e verdadeiros. Apesar de funcionar, a nova mudança no roteiro,impressão que passa é que a construção dos problemas foi  feita para o papel de um homem, visto que são eles que – sem dar muitos spoilers – normalmente fogem de responsabilidades e somem no mundo. Mesmo sem ter noção sobre a existência do primeiro longa, é visível que aquelas personagens não se encaixam exatamente no que o roteiro propõe.

Apesar disso, o elenco escolhido não decepciona em nenhum momento. Julianne Moore como a empresária tem momentos incríveis em tela, até nos momentos em que ela parece feliz, sua expressão deixa transparecer um nem-tudo-é-o-que-parece. A última cena de Moore é um show a parte, que te faz refletir e chorar por um bom tempo depois do término do filme. Michelle Williams também se entrega ao papel, apesar de achar que sua personagem poderia ter tido uma construção melhor, por conta da mudança do roteiro, ela ainda assim consegue convencer e emocionar o público.

Depois do casamento é sobre ciclos, sobre amores e passado. É uma narrativa que te faz refletir sobre escolhas e as consequências que elas podem ter. Apesar de ter sido feito com o intuito de uma atmosfera mais melancólica, o filme trata o perdão e o recomeço de uma forma bonita e, principalmente, real, sem voltas que não levam a lugar algum ou resoluções mágicas para conflitos enigmáticos.

 

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