Partindo de uma premissa conturbada e muito discutida atualmente, Luna é sobre mulheres, mas não feito, exclusivamente, para mulheres. O filme conta a história de Luana (Eduarda Fernandes), uma típica adolescente, estudante de um colégio público, que tem um vídeo íntimo vazado. Apesar de toda a história ser voltada para o que levou a garota a isso e as consequências do vazamento, o filme também tem como cenário a amizade de Luana e Emília, uma recém-chegada na escola.

Reparando a construção da narrativa em relação ao vínculo afetivo que se da entre as duas protagonistas, o filme é extremamente delicado e paciente. Mostrando desde o primeiro contato, até como foi se formando aquela amizade, focando principalmente nos gostos e manias que as duas pareciam compartilhar e que, por isso, acabaram por desenvolver um grande nível de intimidade uma com a outra.

Apesar disso, o filme peca em muitas questões no que se propõe a discutir, a principal delas: o empoderamento feminino. Isso porque a afirmação de que a liberdade sexual e a exposição do corpo, principalmente quando relacionado a menores de idade, seja uma forma de se libertar dos padrões e dos tabus relacionados às mulheres, já foi discutida e desmentida por muitas pesquisadoras feministas que tentam dizer o óbvio: quem ganha com o discurso de quem jovens meninas devem sair por aí mostrando seu corpo são apenas os homens.

Mesmo que toda a história de Luna, até o momento do vazamento, seja interessante de ser acompanhada, a figura que ela acaba representando é extremamente perigosa de ser divulgada e difundida. Isso porque a grande a maioria dos predadores sexuais que rondam casas, esquinas e o limbo da internet, se alimentam de falas progressistas que instigam e incentivam adolescentes a se exporem e a atingir uma liberdade nessa exposição.

Infelizmente, Luna não é para todos. É um filme para ser discutido e debatido, pra ser visto por diversas vertentes feministas e serve, principalmente, para contar uma história triste que muitas meninas acabam vivendo. Mas de forma alguma pode ser visto como uma forma de redenção ou motivação para essas mesmas garotas. Luna é importante, mas perigoso.

 

 

 

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