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10 autores da nova geração da Literatura Negra que você precisa ler

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Sim, Machado de Assis era negro (10 autores da nova geração da Literatura Negra que você precisa ler)!

Em uma época em que a percepção de que Machado de Assis era negro ainda causa espanto e surpresa nas redes sociais, em que lembrar que Jesus Cristo veio do Oriente Médio e assim seria impossível ser branco de olhos azuis, ou ainda uma Era em que o primeiro Papai Noel negro no Shopping Bangu do Rio de Janeiro é uma novidade inédita, o Dia da Consciência Negra ganha peso ainda maior.

Este ano o Rio de Janeiro recebeu a FLUP (Festa Literária das Periferias) em sua 8ª edição e entre tantos debates, foi falado sobre o uso da classificação “Literatura Negra” não para diferenciar, mas para elevar e trazer destaque a uma nova geração de autores que merece respeito e consideração. Esperançosamente você já conhece os nomes da lista abaixo e leu suas obras, mas caso o contrário, aproveite para valorizar o Brasil negro em que vive:

Conceição Evaristo
Entre tantas obras, “Olhos D`água” de Conceição Evaristo se destaca por diversas razões. Nela a autora ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem.

Jessé Andarilho
Um dos primeiros trabalhos de Jessé, que encontrou tempo de escrever na uma hora e meia que passava no trem do ramal Santa Cruz, é “Fiel”. Baseado em histórias reais que aconteceram com o autor, seus amigos e conhecidos, o primeiro romance do carioca de 33 anos conta a vertiginosa ascensão e a queda de um menino no tráfico carioca.

Ana Paula Lisboa
Ana Paula já publicou em diversas coletâneas entre elas “Olhos de Azeviche” que revela afetos e dramas negros em antologias de dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira.

Carolina Maria de Jesus
Em “Quarto de Despejo”, de 1960, Carolina Maria de Jesus narra sua história real. O diário da catadora de papel deu origem à este livro, que relata o cotidiano triste e cruel da vida na favela. A linguagem simples, mas contundente, comove o leitor pelo realismo e pelo olhar sensível na hora de contar o que viu, viveu e sentiu nos anos em que morou na comunidade do Canindé, em São Paulo, com três filhos.

Geovani Martins
Com a estreia de Geovani Martins, a literatura brasileira encontra a voz de seu novo realismo. Nos treze contos de “O sol na cabeça”, deparamos com a infância e a adolescência de moradores de favelas – o prazer dos banhos de mar, das brincadeiras de rua, das paqueras e dos baseados –, moduladas pela violência e pela discriminação racial. Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI.

Rene Silva
Rene literalmente revolucionou a comunicação das favelas ao criar uma conta no twitter dedicado a passar informações que ajudassem na segurança de sua comunidade. “A Voz do Alemão” é seu livro de estreia que, fiel aos valores jornalísticos mesmo antes de poder ser chamado formalmente de repórter, Rene conta sobre como criou uma maneira de levar voz aos silenciados habitantes do Complexo do Alemão.

Marcelo D’Salete
Vencedor do prêmio Eisner, maior prêmio de quadrinistas do mundo, o brasileiro Marcelo D’Salete conta em sua HQ “Cumbe” a história dos escravos no período colonial. Marcelo possui ainda outras obras aclamadas que tratam da história de resistência à escravidão no Brasil pela ótica dos povos negros.

 Ana Maria Gonçalves
Em “Um defeito de cor”, romance histórico, Ana Maria Gonçalves conta a fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens.

Cidinha da Silva
O livro já possui um título forte: “#Parem de nos matar”, a história é ainda mais. A obra trata da necro política da nossa sociedade, e reúne crônicas escritas entre 2012 e 2016 sobre racismo, branquitude, privilégios raciais e a morte simbólica e física que provocam. Ao mesmo tempo, destaca pessoas, atitudes e instituições que resistem ao projeto de extermínio do povo negro.

 Giovana Xavier
Em “Você pode substituir mulheres negras como objeto de estudo por mulheres negras contando sua própria história” Giovana inova com sua profissão de fé na História em primeira pessoa. Provoca ao apontar o bolor das interpretações estereotipadas. Ousa ao teorizar sobre surfe, rap, férias, rebolado, orixá, literatura, Baco Exu do Blues, teatro – tudo junto e misturado. Cruza territórios, escrutina personagens, reinterpreta narrativas. Seu livro, como ela, é reflexão vezes nove.

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