Intitulada “Escrever com a imagem e ver com a palavra: fotografia e literatura na obra de Maureen Bisilliat”, a mostra é uma versão ampliada de uma exposição inaugurada em outubro de 2018 no IMS Paulista. No dia 9 de novembro (sábado), às 17h, o IMS Rio inaugura  a exposição.

  A seleção reúne trabalhos de Bisilliat – principalmente livros – nos quais suas fotos dialogam com a produção de grandes escritores nacionais, como Adélia Prado, Carlos Drummond de Andrade, Euclides da Cunha, João Guimarães Rosa, Jorge Amado, entre outros. Além dos livros e de correspondências da fotógrafa com alguns dos autores, e outras sobre temas como a edição dos livros, também são exibidas matérias de jornais, bonecos de livros, cópias de trabalho de época, fotolitos e outros itens relacionados.

Dentre os livros apresentados, está “A João Guimarães Rosa” (1969/1974), inspirado em “Grande sertão: veredas”. Após ler a obra de Guimarães, Bisilliat decidiu registrar o sertão mineiro. Ela procurou o autor, que a encorajou a seguir adiante. Desse encontro, surgiu uma cumplicidade: Bisilliat viajava para o sertão e voltava ao escritor para lhe mostrar as fotos. Atrás delas, ele anotava nomes de pessoas e lugares. As imagens mostram paisagens e personagens específicos, incluindo o famoso vaqueiro Manuelzão.

A mostra inclui também “Sertões: luz & trevas” (1982), livro que a fotógrafa considera mais bem-acabado e que, neste ano, ganhou uma nova edição pelo IMS. A obra combina trechos de Os sertões, de Euclides da Cunha, com imagens que Bisilliat produziu entre 1967 e 1972 no Nordeste brasileiro. No prefácio do livro, a autora anota que, nos 80 anos que separam o texto de Euclides de suas imagens, poucas mudanças ocorreram em favor dos sertanejos da região. Esse caráter de denúncia se alia, nas páginas do livro, a um tom poético, que vê o sertão como local mítico.

A união entre o estético e o social também aparece em “O cão sem plumas” (1984). O livro traz o poema homônimo do escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto, publicado originalmente em 1950, acompanhado por imagens de Bisilliat. As fotos haviam sido feitas originalmente para uma reportagem da revista Realidade sobre a região de Livramento, na Paraíba, onde homens e mulheres viviam da pesca do caranguejo.

 Em cartaz até 23 de fevereiro de 2020, a exposição reúne ainda outros projetos da fotógrafa, em diálogo com obras de Mário de Andrade, Ariano Suassuna e Jorge de Lima. Em todos, há uma união entre literatura, imagem e memória, como pontua o curador: “Embora possamos especular e propor interpretações e classificações, não há um conceito teórico estrito a nortear a interseção entre literatura e fotografia feita por Maureen Bisilliat. Ela traz a questão para um plano mais pessoal, do afeto e da memória. E, como uma história muito bem contada, atinge a todos nós.”

Imagem: divulgação IMS Rio

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