Sob nova direção – é assim que se apresentam os dois novos trabalhos que a Cia. Teatro de Afeto estreia paralelamente. Pela primeira vez em quase cinco anos de existência, as montagens acontecem sob a mesma estrutura e recebem profissionais não integrantes da companhia.

Os dois monólogos que compõem o quinto projeto da companhia têm a busca pelo autoconhecimento como cerne e foram concebidos pelos artistas que estão em cena. Em “Enlaçador de mundos”, o personagem vivido por Saulo Rocha é um homem em situação de rua que tem como objetivo abordar temas delicados e pouco debatidos pela sociedade, como orfandade, suicídio, saúde mental, invisibilidade social, dentre outros. “A parada é o caminho” apresenta Larissa Porto num texto tragicômico sobre transformação que abrange sentimentos universais como amor, solidão e medo da morte, refletindo sobre a passagem do tempo e a dificuldade de lidar com o fim de ciclos.

As montagens são orientadas pela presença de arquétipos, crenças místicas e simbologias que a sociedade usa para ler o mundo, como tarô, astrologia, lunações e orixás. “Apesar de não viver mais esta realidade, nasci e fui criada na favela e percebi que as pessoas, por necessidade, se mantêm ocupadas buscando dinheiro e melhorar de vida. A partir do Teatro de Afeto, percebi que também era fundamental olhar pra dentro e buscar o autoconhecimento”, relembra Larissa, que desenvolveu sua tragicomédia ao longo dos anos de pesquisa e trabalho junto ao grupo.

“É uma mulher que está buscando seu tempo certo e que, por isso, está sempre revendo sua trajetória. Nesse caminho, acontece a libertação dos ciclos que se repetem e ela se transforma”, adianta a atriz. “Por ter sido beneficiário de várias políticas públicas, minha inspiração vem de questões sociais e pessoais que se ligam a elas, como o direito à moradia e ao transporte público. Sei o quanto isso faz diferença na vida das pessoas”, salienta Saulo, lembrando sua formação em Relações Públicas pela UERJ.

O Teatro de Afeto tem como parâmetro de montagem a necessidade de fala de seus integrantes, pautado como um processo de cura e libertação e guiados por aquilo que precisa ser dito no momento. “É muito cultural nosso querer saber de onde a pessoa é, qual a sua profissão, e assim deixamos de saber o que a pessoa tem pra nos oferecer naquele momento a partir da sua vivência. E esses personagens oferecem o que ninguém espera que possa vir deles”, finaliza Rodrigo.

SERVIÇO:
“ANTES SOLO QUE MAL ACOMPANHADO”
Temporada: 12 de novembro a 18 de dezembro de 2019
Horário: Terças e Quartas-feiras – A partir de 20h
Local: Teatro Poeirinha (Rua São João Batista, 104 – Botafogo)
Ingressos: R$ 60 (inteira) / R$ 30 (meia-entrada)
Classificação: 16 anos
Gênero: Tragicômico
Duração: 80 minutos

Foto: Lucas Nogueira

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