Ana e Carl são dois jovens irmãos que nunca se deram bem, mas depois de sofrerem uma grande perda familiar, partem em busca de respostas. Os dois tentam encontrar no Brasil e na Alemanha, seus próprios caminhos e identidades, atravessando a História de sua família e do século XX.

Rodado no Brasil e na Alemanha, o longa de Rubens Rewald que também assina o roteiro, utiliza-se das diretrizes de um road movie, acompanhando as jornadas de autoconhecimento de seus personagens. Carl e Ana nunca se deram bem. Ambos não tem muito dinheiro nem perspectivas profissionais. Não sabem exatamente de onde vêm ou para onde vão. Na tentativa de encontrarem seu lugar no mundo, os irmãos partem para a Alemanha em busca de suas histórias e identidades. Eles tentam, de alguma forma, descobrir uma narrativa própria para que possam lidar com esse mundo caótico, que parece cada vez mais sem sentido. E, nessa jornada, aprendem a importância e a força do afeto – talvez a única arma que possuam para continuar sobrevivendo nesse mundo violento e injusto.

Nas décadas de 1930 e 1940, milhares de alemães fugiram de seu país em decorrência da perseguição nazista durante a II Guerra Mundial e precisaram se adaptar a um novo país. Situação semelhante acontece atualmente com os novos refugiados, que fogem das guerras, da fome, da crise econômica e política, buscando melhores condições de vida. Mas, hoje, num sentindo contrário, de volta à Europa, como o segundo tempo de um jogo.

Um destes imigrantes que teve que deixar seu país de origem foi Helmut, que migrou da Alemanha para o Brasil e aqui constituiu família. Os irmãos Ana e Carl são filhos desse mundo que Helmut deixou para trás e com o qual ele não conseguiu conviver e nem explicar a seus filhos.

Para o diretor, mesmo de maneira indireta, o longa conta um pouco de sua história, pois é descendente de imigrantes. “A família de meu pai veio da Alemanha, fugindo da II Guerra Mundial, e a família de minha mãe veio da Hungria e da Turquia, fugindo da guerra entre a Turquia e a Grécia. Todos se conheceram em São Paulo durante a década de 1950, enquanto tentavam iniciar uma nova vida em um novo país. SEGUNDO TEMPO, embora completamente ficcional, carrega uma forte abordagem que deriva de meu imaginário pessoal e familiar”, explica.

Rewald destaca que o espaço urbano é mais do que um cenário; a cidade é uma das principais personagens do filme. “Uma questão crucial é sobre as famílias na cidade, suas histórias atuais e antigas. São Paulo é povoada por inúmeros migrantes e imigrantes, sendo que a identidade da cidade se forma a partir deste caldeirão étnico e cultural. Nesse sentido, há muitas histórias ocultas sobre pessoas ou famílias que apagaram seus passados para tentar se reinventar em uma nova vida”, conclui.

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