Março é um mês dedicado exclusivamente as mulheres, por conta de incêndios que ocorreram nos séculos XIX e XX, que mataram centenas de mulheres que trabalhavam em fábricas e viviam em péssimas condições de trabalho. Por conta desses eventos terem ocorrido nesse mês, após a Segunda Guerra, o dia 8 de março se tornou um marco da luta contra o sexismo, a violência e a desigualdade sofrida por mulheres de todo o mundo.

De lá pra cá, muita coisa mudou, o movimento feminista tomou a frente em muitos aspectos e conquistado direitos para as mulheres e vários países, ainda assim, estamos muito atrás de uma sociedade verdadeiramente igualitária. E isso também é visto aos montes na indústria cultural: homens fazendo filmes para homens que falam sobre homens.

Há três anos atrás, em 2017, um movimento conhecido como #MeToo, que pedia para vítimas de abuso compartilharem suas experiências na rede para se sentirem acolhidas, acabou sendo usado por uma atriz que denunciou um grande produtor de Hollywood, Harvey Weinstein. Uma denúncia que viraram dezenas. Mulheres que foram abusadas, agredidas, violentadas, que tiveram suas vidas e carreiras destruídas por causa de um homem com muito dinheiro e poder. Um caso que abalou todo o polo cinematográfico e que, a partir disso, deu início a outro movimento chamado #TimesUp, criado por cerca de 300 mulheres em Hollywood, que se juntaram para lutar contra o abuso e a misoginia em ambientes de trabalho e, principalmente, no cinema.

Apesar da enorme fenômeno que foram os movimentos, ainda é visível a diferença de tratamento que homens recebem em detrimento das mulheres na indústria cinematográfica.

No Cesar de 2020, o caso de Roman Polanski foi lembrado. Acusado de dopar e abusar de uma menina de 13 anos, condenado nos Estados Unidos,Polanski ganhou o prêmio de melhor diretor por seu novo filme, enquanto uma mulher estava entre as indicadas com uma obra que ganhou diversos festivais no mundo a fora. Ao mesmo tempo, outras colocavam fogo do lado de fora da premiação, em protesto por aqueles críticos ainda terem a coragem de dar uma oportunidade e um prêmio a um homem acusado de pedofilia.

É nesse cenário que temos mais um dia da mulher, mais um mês em que recebemos parabéns e flores e depois nossas pautas como profissionais, como artistas e como pessoas são esquecidas ou deixadas pra depois. Para tentar mudar um pouco esse quadro, é necessário sair da zona de conforto: mulheres, escutem mulheres, leiam mulheres, assistam mulheres, apoiem outras mulheres para que o mundo saiba que viemos reivindicar nosso lugar, nos museus, nas telas, nos palcos, num escritório e até na rua.
É com isto que deixo a minha colaboração aqui de 10 obras roteirizadas por mulheres, que ganharam vários prêmios e conquistaram legiões de fãs pelo mundo.

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