Neste mês de março, em que o Golpe de 64 completa 56 anos, o livro  “Os anos de chumbo” reúne materiais inéditos sobre o período mais severo da História do Brasil, o regime militar. O lançamento da Editora Planeta, refaz o percurso político, social e histórico do país desde o governo de Jânio Quadros até a instauração da Ditadura Militar.

Trata-se de um compilado de materiais inéditos sobre os acontecimentos políticos que desencadearam o Golpe de 64. Dedicado em sua epígrafe “às novas gerações”, este é um livro que questiona essencialmente como os caminhos da repressão e da censura afetaram o Brasil e o cotidiano das pessoas, e o que foi feito para levar o país à redemocratização.

O livro contém entrevistas inéditas com personalidades da época e revisões bibliográficas, além de brindar o leitor com a presença de dois nomes de peso para o pensamento político no Brasil e no mundo, o historiador brasileiro Laurentino Gomes (autor de “1808”), que assina o prefácio da obra, e Noam Chomsky, um dos principais linguistas e filósofos em atividade no mundo, que escreveu a quarta capa de “Os anos de chumbo”. Já a preparação do livro é assinada pelo premiado escritor Tiago Ferro (“O pai da menina morta”).

O estilo literário característico do autor empresta uma prosa poética para a narração de um dos capítulos mais emblemáticos da história recente do país. Passando por episódios marcadamente decisivos, como o Terror no Guararapes, a Primavera Operária, a efervescência política dos festivais, o movimento jovem da década de 60, o conflito armado na Maria Antônia, e a instituição do Ato Inconstitucional número 5, a obra provoca a pensar sobre a atualidade de algumas manobras políticas e por que seus efeitos, motivações e consequências podem atravessar os tempos.

Uma das entrevistas de destaque é a do Cabo Anselmo, personalidade controversa que passou da militância marxista à colaboração com órgãos do regime militar.  O livro instiga a pensar o presente e o futuro a partir de um olhar criterioso para o passado, revisitando e analisando novos olhares para um passado de luta, massacres, incertezas e resistências, mas sem perder a incômoda conexão com o presente e a leveza na linguagem, como atesta Laurentino Gomes no prefácio.

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