O público pode conferir por meio de tours virtuais no Instagram (@ccbbbrasilia ) e no Facebook (/ccbb.brasilia ) a exposição “Linhas da Vida”, retrospectiva e itinerante da artista japonesa Chiharu Shiota, com curadoria de Tereza de Arruda. A mostra reúne trabalhos de diferentes momentos da trajetória de Shiota até uma instalação inédita, inspirada no povo brasileiro. A exposição pode ser vista também por meio de um aplicativo disponível pela 20Dash na Play Store e Apple Store. Para fazer o download, basta procurar pelo nome da artista – Chiharu Shiota – e acessar vídeos, fotografias e textos. O app também oferece conteúdo em libras e audioguia. A ação digital traz, ainda, uma série em vídeo de comentários da curadora acerca da obra de Shiota.

Conhecida principalmente por seus trabalhos site-specific em grande escala, frequentemente compostos por emaranhados de linhas, Shiota é autora de uma obra multidisciplinar, realizada em suportes diversos: são instalações, performances, fotografias e pinturas. Na exposição “Linhas da Vida”, o público vai poder conferir grandes instalações inéditas, como o site specific “Além da Memória” (2019), obra inspirada na diversidade do povo brasileiro, criada em diálogo com a arquitetura moderna do Centro Cultural Banco do Brasil. Suspensa, com 13m de altura e em forma de uma espécie de teia, a instalação é composta por mais de quatro mil folhas de papel em branco em uma trama de lã tecida no espaço. É um convite para que o público idealize sua própria história e resguarde sua memória no percurso aí proposto.

Foto: Augusto Costa

Em “Linha Interna” (2019), site specific composto por três grandes vestidos vermelhos, além de cerca de 10 mil fios penduradas verticalmente, totalizando mais de 34 quilômetros de material. A inspiração vem das relações humanas, das memórias, da vida e da morte – temas que aparecem a todo momento na obra de Shiota. A artista evoca uma lenda japonesa que conta que quando uma criança nasce, um fio vermelho é amarrado em seu dedo, representando a extensão de suas veias sanguíneas que correm do coração até o menor dedo de suas mãos. Ao longo da vida, esse fio invisível se entrelaça ao fio de outra pessoa, conectando uma à outra, de alguma forma que impactará profundamente seus caminhos.

 Os destinos da vida são questões recorrentes no processo de criação de Shiota. Em suas obras ela tece as linhas de sua vida e convida o público a fazer o mesmo. Essa é a ideia presente em “Linha Vermelha” (2018), obra que lança luz à produção manual da artista, uma de suas principais características. Em outro momento, dois barcos escuros surgem em meio a emaranhados de cordas pretas como alusão aos caminhos da vida. Trata-se de Dois barcos, um destino (2019), uma metáfora da artista sobre as formas de avançar, viajar, sem necessariamente saber qual é o ponto final, tal qual o percurso da vida. “Os barcos simbolizam os portadores de nossos sonhos e esperanças, levando-nos através de uma jornada de incerteza e admiração”, diz Chiharu.

Foto: Augusto Costa

 A exposição também traz fotografias da instalação “A chave na mão” (2015), que esteve na 56ª Bienal de Veneza e na qual Chiharu representou seu país no pavilhão do Japão. A obra foi composta por dois barcos que lembram, segundo a artista, duas mãos receptoras prestes a agarrar ou deixar de lado uma oportunidade, postos em um emaranhado de 180 mil chaves.

Em outro núcleo, “Linhas da Vida” apresenta trabalhos pautados no Corpo, tema que aparece desde os primórdios na criação de Shiota. São obras em que a artista investiga questões ligadas à identidade, memória, corpo, fragilidade e doenças.

“O trabalho de Shiota evolui a partir de uma dinâmica orgânica de fazer e criar. Nota-se aqui que dentro de uma mesma temática há uma abrangência de obras distintas, como filmes resultantes de performances intimistas, tendo a artista como única protagonista em um relato pessoal, objetos compostos de roupas, que na perspectiva de Shiota existem como uma segunda pele humana a carregar em si os traços e vestígios da experiência humana e memória aí vivenciada, ou ainda objetos de vidro representando órgãos do corpo humano sãos ou dilacerados. Estes gestos e objetos artísticos referem-se à vida humana de forma geral”, finaliza a curadora.

Fotos: Augusto Costa

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