Podcast foi gravado durante a quarentena.

Gravado à distância durante a quarentena, mas não menos intimista – pelo contrário – , o podcast Essenciais com Lenine conta sua trajetória. 

Ainda jovem, e por sorte, Lenine decidiu arriscar um novo caminho. Após três anos de faculdade de engenharia química – Pasmem quem não sabia! -, em 1979 trancou o curso e foi pro Rio de Janeiro com a intenção de se transformar em um “fazedor de canções”, como gosta de se definir.

O pernambucano teve logo seu primeiro disco lançado – “Baque Solto”, em 1983, junto com Lula Queiroga. Apesar de especial, a repercussão não foi tão alta. “Chamamos internamente de ‘espinha na bunda’, algo que só você sabe que tem, pois aconteceu, mas não aconteceu”, brinca o artista.

Em 1989, Elba Ramalho gravou “A Roda do Tempo”, uma composição de Lenine, momento que ele define como uma grande oportunidade”. “Elba foi uma grande janela, não só pra mim, mas para vários compositores e cantores nordestinos. Sendo voz dessa cultura, ela deu essa sobrevivência a muitos artistas”.

O próximo lançamento foi quase 10 anos depois, em 1993, o álbum “Olho de Peixe”, com Marcos Suzano e repleto de percussões cheias de harmonia. “Com Suzano foi uma empatia imediata. A gente se encontrou, decidimos tirar um som, ficamos 4h juntos e o disco tinha sido feito ali”. A gravação oficial e edição foi feita em um estúdio que um amigo ofereceu, em horários alternativos: “a gente esperava dar 18h de sexta feira para entrar no estúdio e saia 6h da manhã da segunda feira” – e esse esforço rendeu bons frutos.

“O dia em que faremos contato”, 1997, foi o primeiro disco assinado solo – mesmo Lenine não sendo muito fã desse termo. “Música pra mim tem que ser coletiva, tem que trocar, então eu não digo que é um disco solo. Esse disco só aconteceu pela produção do Chico Neves”, conta.

Dois anos depois, foi lançado o “Na Pressão”, álbum que trouxe ao mundo o hit “Paciência”. “Às vezes me questiono se essa música é minha e do Dudu Falcão. Se eu te falasse a quantidade de versões, declamações, relatos de pessoas que falam da importância que a canção teve em momentos de fragilidade, dificuldade, e que ela foi um gatilho esperançoso, isso é muito especial. Sei que fui eu que fiz, mas agora, nesse momento , parece que não fui eu”

Os próximos anos foram repletos de lançamentos e sucessos: “Falange Canibal”, 2002, buscou homenagear os encontros. “In Cité”, 2004, foi o eco de um trabalho que Lenine fez anos atrás a convite de Caetano Veloso, o qual rendeu esse show gravado em Paris.

“Labiata”, de 2008, é definido como o “primeiro romance” do artista. “Me impus a fazer uma canção por dia. Eu fazia ela de noite, de dia ia no estúdio, gravava e ia pra casa fazer uma segunda. Durante 15 dias fiz 15 músicas, já em formato de capítulos. Quando acabou os 15 dias de criação, eu voltei a primeira música e comecei a produzir. Então digo que esse disco nasceu pela minha perseguição por um romance”, revela.

Aliás, em 2011, um marco especial aconteceu, afinal, o álbum “Chão” foi produzido por Bruno Giorgi, filho de Lenine, certamente, um dos momentos mais marcantes de sua carreira. Alguns anos depois, foi lançado “Trânsito”, um show que se tornou um álbum – repleto de canções inéditas.”

 

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