“Em Eras antigas os espíritos das florestas tinham a forma de grandes animais, ou árvores gigantescas. Cada bosque, montanha, e vale possuía um deus protetor, mas todos os deuses-animais servem ao Shishigami, o Deus da Floresta”, assim é aberto Mononoke Hime.

Lá pela década de 90, os ideais e teóricos ecológicos começam a se tornar uma voz real e séria. A questão do aquecimento global é levantada mais ou menos nessa época, e o diretor Hayao Miyazaki sempre foi um ativista declarado em defesa do meio ambiente. Princesa Mononoke é um longa metragem com múltiplas camadas. Visualmente, Miyazaki traz um Japão em guerra interna, já que o imperador não possuía controle total de todo arquipélago japonês, então o visual do filme lembra os japoneses ainda de uma forma muito tribal em certos aspectos, sem grandes construções importadas da China.

Miyazaki cria os arquétipos do lado humano, dos deuses e um meio termo. Lady Eboshi é a personificado da soberania humana, ela que descobre o poder da pólvora e do ferro para liquidar com os animais, e por outro lado oferece uma vida digna a prostitutas e vagabundos. A princesa lobo, San, foi uma menina abandonada pelos pais e criadas pelos lobos da floresta, ela odeia os humanos mais que tudo, mesmo sendo uma. E por último, o príncipe Ashitaka representa um meio termo entre os polos, um príncipe da humanidade que entende e respeita os espíritos das florestas. Esses três personagens orbitam entre si, e por mais que Eboshi tenha destaque vilanesco, ela não é isso.

Aliás, como todos os filmes de Miyazaki, o primor técnico deste filme também é impecável. Além disso, a animação artesanal, a trilha sonara de Joe Hishaishi é grandiosa e épica!

A jornada inicial do protagonista, Ashitaka, se perde dentro do que é necessário e ele acha um amor dentro da floresta. Princesa Mononoke lembra muito A Viagem de Chihiro em alma e essência. As duas obras são bem parecidas, porém com propósitos diferentes, além de ser um recomeço, para homens e animais.

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