A 18ª edição do festival internacional de dança contemporânea Dança em Trânsito ganha, em tempos de quarentena, sua primeira edição virtual e integralmente gratuita. De 15 a 22 de agosto, bailarinos, companhias de dança, coreógrafos, professores, estudantes e críticos de 68 cidades espalhadas por 18 países  se conectam remotamente através de criações on-line e parcerias inéditas, residências artísticas de intercâmbio e de criação, além de projetos formativos com palestras e aulas, oficinas e rodas de conversa.

Uma das novidades do festival é o projeto Criações inéditas – Solos On-line. A proposta consiste na formação de uma dupla formada por um coreógrafo e um artista que estejam obrigatoriamente em cidades diferentes, dentro ou fora do Brasil, para a criação e apresentação de um solo inédito.

A curadoria realizada pelas diretoras do festival Giselle Tápias e Flávia Tápias, e ainda por Carmem Luz (Rio de Janeiro), Leonel Brum (Fortaleza), Annette Jeannot (Paris, França) e Pedro Senna Nunes (Lisboa, Portugal) selecionou 9 dos 287 solos inscritos, concebidos em parcerias – muitas inéditas.Os solos serão apresentados em 16/8, às 17h; 17/8, às 14h e 19h; 20 e 21/8, às 17h, e no dia 22/8, às 11h.

“Esta será uma edição muito especial. O uso das plataformas on-line, que a princípio serviria apenas para contornar a impossibilidade de realizar apresentações presenciais, propiciou descobertas e experiências bastante ricas e inusitadas”, revela Giselle Tápias, diretora artística e curadora do festival.

Em um primeiro momento, Flávia e a videasta Luciana Ponso promoveram um encontro com os inscritos para abordar os conceitos pertinentes ao tema ‘Fique em casa’, como intimidade, memória etc. A partir desse mote, os participantes puderam brincar livremente com seu ‘espaço íntimo’: “Nesse espaço de liberdade, a dança pessoal de cada um será parte de um todo, livre de fronteiras. Afinal, o que pode a dança na tela?”, propõe Luciana. O resultado da experiência será exibido em 15/8, às 17h, e 21/8, às 11h.

Além dos Solos Online e do videoarte Morada, serão disponibilizados gratuitamente sete espetáculos de dança completos de companhias nacionais e internacionais, incluindo algumas que já tinham sido convidadas para a edição presencial ou que participaram de edições anteriores do Dança em Trânsito. As exibições serão seguidas por um bate-papo ao vivo com o coreógrafo do espetáculo apresentado, que falará sobre o seu processo de criação.

A jornalista, escritora e crítica francesa Rosita Boisseau, colaboradora de periódicos como o Le Monde, e que ministrou uma inédita e gratuita oficina de crítica de dança na edição passada do festival, aprofunda o assunto este ano em Territórios desconhecidos, que oferece duas rodas de conversa, ao vivo, com participação do público ao final.

Já no dia 22/8, às 17h, na roda de conversa “A Crítica da Dança”, Rosita se reúne com Adriana Pavlova, jornalista e crítica de dança do jornal O Globo; a francesa Annette Jeannot, fundadora do Les Journées Danse Dense, membra constante de comissões de assistência à escrita coregráfica na França; Fernanda Perniciotti, jornalista, gestora, pesquisadora em Comunicação e Artes e crítica de dança do jornal O Estado de S. Paulo, e Sanjoy Roy, jornalista, editor, curador e crítico do jornal londrino The Guardian, para refletir sobre como a arte deve e pode seguir neste novo momento.

Na outra roda de conversa, “Centros Culturais e Coreográficos”, no dia 21/8, às 14h, profissionais da área de cultura de quatro países de três continentes – Romann Datus, Adido de Cooperação e de Ação Cultural da França no Rio de Janeiro; Ambra Senatore, coreógrafa e intérprete italiana, diretora do Centro Nacional de Coreografia de Nantes, na França; Martín Inthamoussú, professor da Universidade Católica do Uruguai, membro do Comitê de Governança da Sociedade Internacional de Artes Cênicas; Mirna Zagar, Diretora Executiva do The Dance Centre, no Canadá, e a portuguesa Telma Sousa de Brito, Diretora do Pólo Artes Vivas, Café en l’Eyre, em Bordeaux, França – trocam experiências e reflexões sobre como se reinventar culturalmente.

 O público poderá se inscrever gratuitamente para assistir e interagir com os participantes pelo site.

Durante o festival, serão oferecidas oficinas on-line e gratuitas de dança, com vagas limitadas, ministradas por convidados do Brasil e do exterior. O brasileiro Mário Nascimento (Oficina de Dança Contemporânea) e os espanhóis Kiko López Juan (Dança Contemporânea e Urbana) e Lucio A. Baglivo (Dança Contemporânea e ferramentas teatrais) abordam diferentes aspectos da dança nos dias 15, 17 e 19 de agosto, respectivamente, com tradução simultânea. As inscrições são feitas pelo site .

O Projeto Formativo apresentará três palestras-aula de até 50 minutos, gratuitas, com profissionais da dança, sobre temas específicos, em formato de entrevistas ao vivo, em que o público poderá fazer perguntas e estar em contato com os palestrantes através de um mediador. Participam o poeta, ensaísta e curador português Luís Serguilha (17/8), o coreógrafo alemão Micha Purucker (18/8), e a educadora, fisioterapeuta e pesquisadora brasileira Núbia de Lima Barbosa (19/8), sempre às 17h.

A já tradicional residência de intercâmbio Rotas, idealizada e coordenada pela coreógrafa Flávia Tápias, é uma parceria criativa com os intérpretes brasileiros e estrangeiros convidados, que elaboram um espetáculo inédito apresentado durante a programação. Nesta edição, a residência se transforma em Rotas Virtuais, ganha a colaboração artística da coreógrafa suíça Nicole Seiler e terá uma primeira etapa que envolve o encontro online dos artistas para a elaboração de um jogo coreográfico a partir das histórias individuais e questões pertinentes ao momento atual: o que descubro no isolamento, em relação ao corpo do outro? Como enriquecer um espaço-tempo comum que abrigue a diversidade e a beleza que se pode criar conjuntamente? A partir daí, será criado coletivamente um vídeo-dança, filmado online, envolvendo os artistas Flávia Tápias (Rio de Janeiro), Nicole Seiler (Genebra, Suíça), Jeremy Kouyoumdjian (França), Marie Urvoy (França), Kiko López (Madrid, Espanha), Rosa Antuña (Belo Horizonte, Brasil), Shaymaa Shoukry (Cairo, Egito), Diya Naidu (Bangalore, Índia), Júlio Rocha (Rio de Janeiro) e Gleidson Vigne (Giessen, Alemanha). O resultado será apresentado nos dias 15 e 22/8.

Assim como nos anos anteriores, o Dança em Trânsito realiza as Oficinas de Criação para jovens de cidades com poucas oportunidades e distantes dos grandes centros. Começando em julho nas cidades de Minaçu (GO), Capivari de Baixo e Alto Bela Vista, em Santa Catarina, e Entre Rios do Sul (RS), com aulas e encontros ministrados por Flávia Tápias, Luciana Ponso e Anyel Aram, o projeto ganha em agosto um vídeo-registro do processo de criação, que será exibido gratuitamente no festival, nos dias 16 e 18/8, às 14h, seguido de um bate-papo ao vivo com os participantes, coreógrafos e professores, para compartilhar os desafios e emoções desse novo processo criativo.

Um dos desdobramentos das oficinas é a Trânsito Cia de Dança, formada pelos jovens que se destacaram nas residências. Flávia Tápias e Gleidson Vigne, coreógrafos de Trilha, a primeira obra criada para a Trânsito Cia de Dança, foram convidados a dar continuidade ao trabalho, partindo das transformações pelas quais o mundo passa, e criar uma segunda parte: TRILHA, um novo jeito de caminhar, que será apresentado no festival.

O professor, bailarino, coreógrafo e terapeuta Toni Rodrigues realiza a oficina de criação, gratuita para adultos a partir de 18 anos, Dança para todos, nos dias 16, 18 e 20/8, às 11h. As inscrições podem ser feitas no site .

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