Artista multidisciplinar, Élle de Bernardini transita entre a dança e as artes visuais e retrata o corpo inteiro, trans, vivo e pulsante. Por meio de telas, pinturas, esculturas, foto performances e desenhos, ela faz alusão às questões da sexualidade que confrontam os padrões que circundam o mundo contemporâneo e busca resgatar e reconstruir as narrativas esquecidas, apagadas e silenciadas das minorias de gênero.

O público poderá conhecer uma seleção inédita destes trabalhos na mostra Nem tudo que reluz é ouro, em cartaz a partir de 10 de setembro na Galeria Kogan Amaro, com curadoria de Ana Carolina Ralston.

“Memória e repetição. Essas duas palavras são a base das obras reunidas na primeira mostra individual da gaúcha Élle de Bernardini na Galeria Kogan Amaro São Paulo. A mostra trata a artista como um corpo inteiro e pulsante, que percebe na reafirmação dessas duas constantes uma forma de mudar a percepção de um fato, criando, assim, novas verdades”, escreve a curadora.

Bernardini traz aos seus trabalhos dor e alegria, beleza e horror, emoções que remetem aos limites que atravessamos na vida. O rosa e o azul surgem em suas criações como elementos simbólicos para borrar as margens entre o feminino e o masculino, o certo e o errado e as convenções, de modo geral, da sociedade normativa.

“O trabalho de Élle aborda a intersecção entre questões de gênero, sexualidade, política e identidade com a história da humanidade e da arte a partir de sua própria experiência”, pontua Ralston .

Élle de Bernardini passou a se questionar como artista trans e a pensar se deveria abordar sempre em seu trabalho as questões de gênero, de sexualidade e de sua identidade transexual. Mas, tudo indica, não há resposta para essas perguntas. “Não há arte inocente ou arte da inocência e sim, a arte é também um posicionamento do artista perante do mundo”, segundo Ricardo Resende, diretor artístico da galeria.

“O próprio ‘Élle’, faz alusão a uma ambiguidade que habita nosso ser. A palavra, uma espécie de raiz de seu nome de batismo, coloca em cheque a língua portuguesa e a francesa e suas semelhanças e oposições na percepção do masculino e feminino. É justamente sobre esse virtuoso acasalamento que se encontra o ser artista”, complementa a curadora da mostra, Ana Carolina Ralston.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here