Cantora comenta encontro com o falecido saxofonista Gerry Mulligan.

Cantora, compositora, e escritora brasileira, Jane Duboc alcançou sucesso nos anos 1980 com temas românticos, como “Chama da paixão”, “Sonhos” e “Besame”.

Paraense de Belém, com treze anos de idade Jane Duboc já fazia apresentações filantrópicas no colégio onde estudou, na televisão e em festivais. Nos anos 80, Jane participou do festival “MPB 80” promovido pela Rede Globo de Televisão com a música “Saudade”. Assinou contrato com a Som Livre e gravou um compacto com a música “Cheiro de Amor”.

Jane Duboc fará Live de histórias infantis em homenagem ao Dia da Criança
Foto: Murilo Alvesso

Você fará uma Live de histórias infantis no Dia da Criança, pelo projeto “Ilustre Criança – Desenhando a Canção com Jane Duboc”, o que te levou a criar um projeto diretamente ligado ao público infantil? Aliás, como é a relação com ilustrador Alexandre de Nadal e do músico Junior Lobbo no projeto?
Jane Duboc – Eu sempre escrevi para crianças desde muito cedo. Eu tenho alguns livros publicados para o público infantil, além de ter participado de muitos projetos para crianças como musicais para escolas públicas.

Eu sempre tive uma empatia imensa com a criançada, então, eu pensei nessa pandemia, vendo meu neto sofrendo, querendo se expandir, correr, brincar, … , eu tive esse impulso e comentei com o meu querido amigo Fernando Cardoso e o Roberto Monteiro, que acharam a ideia muito legal. Meu neto, aliás, em ajuda no projeto “Ilustre Criança”, ele que tem cantado as músicas, eu fico tão emocionada vendo meu neto cantando as minhas músicas, me enche a alma!

O projeto é como se fosse uma novelinha. A criança gosta muito de desenhar, de colorir, uma coisa artesanal, até, né. Então, a gente fez esse projeto para a criançada participar. Eu tô muito feliz com esse projeto! Eu já vou fazer 70 anos, sou uma vovó e tenho paixão por crianças.

A gente faz uma interação muito incrível, enquanto eu narro, eles atuam. Aliás, o Alexandre já ilustrou um livro meu e o Junior trabalhou comigo no meu último CD.

Você, claramente, influenciou seu filho musicalmente, Jay Vaquer, que seguiu a mesma carreira, porém em outro gênero musical, vocês, em algum momento, já se permitiram criar juntos?
Jane Duboc – Sim, sim, eu influenciei meu filho musicalmente! Ele, desde cedo, ouviu muito Egberto Gismonti, Toninho Horta, que conviviam comigo diariamente. Ele ouvia as coisas que eu ouvia. Tanto que quando ele compõe, eu sinto a influência de todos eles nas harmonias, nas divisões rítmicas. Ele escreve muito bem, ele é um cronista da atualidade. Ele é muito do bem. Tenho muito orgulho dele!

Nós já criamos juntos, eu acho que ele já produziu alguns CD`s para mim, eu já fiz letras em inglês para músicas deles.

Nos anos 70, você excursionou com Egberto Gismonti nos shows “Água e Vinho I e II”, participando do seu CD “Árvore” fazendo vocais e tocando percussão. Como se deu encontro?
Jane Duboc – Foi uma sorte divina! O cara do DOPS queria me prender, ai eu fiz um disco sem letra e o Egberto, quando ouviu, ele quis me conhecer e me convidou para trabalhar com ele. Assim, a gente excursionou com “Água e Vinho I e II”, fizemos os circuitos universitários, “Ai, como era bom, antigamente ficava dois, três meses no teatro, era uma delícia”. Foi um encontro maravilhoso, até hoje sou amiga demais do Egberto. Já fiz discos em homenagens à ele e, já participei até de discos da filha dele. A gente virou uma família!

Foto: reprodução Internet

Você gravou o CD “Paraíso” com o já falecido saxofonista Gerry Mulligan, um dos mais respeitados nomes do Jazz mundial. Qual é a importância dele na sua carreira?
Jane Duboc – Foi um prêmio de Deus! Tive a sorte de ter participado do show do Toquinho na Europa, onde ele me dava a chance de abrir a segunda parte do show sozinha ao violão. Sempre muito generoso, adoro o Toquinho!

Quando teve o show em Milão, o Gerry Mulligan foi ao assistir ao show. De repente, quando eu vi, ele tava subindo ao palco e disse que queria fazer um disco comigo. Eu olhei, reconheci, e nessa época eu já adorava Cool Jazz. Eu só pensei comigo “Perai, não é possível”, me tremi inteira.

Naquela época tinha o fax, eu fazia a letra, ai depois ele mandava a melodia, foi um namoro musical! Depois disso, finalmente, fui a Nova York, gravamos pela Telarc digital. Gravamos tudo ao vivo, né. Logico que cantei “Itapoá”, do Toquinho porque ele que nos uniu, né. Para mim foi um prêmio poder ter feito esse disco lá em NY, para o mundo inteiro! Uma sorte muito grande!

Aliás, a sua voz fez muito sucesso no Japão com a música “Canção do Sal” de Milton Nascimento, fazendo os japoneses cantarem em português.
Jane Duboc – Quando eu fui fazer show com o Marco Bosco, foi quando eu conheci os empresários, ai que eu vi como o povo japonês adora a nossa música. O Japão é um lugar de sonho, as pessoas tem respeito pelo trabalho do musico. Eles chegavam com discos, LPs para eu autografar, compravam não sei aonde, na época. Tudo o que eu fiz no Japão até hoje foi motivo de muita alegria!

A sua carreira musical é extensa e cheia de feitos de grande importância, como cantar com a Orquestra Sinfônica de Israel, uma das cinco melhores orquestras sinfônicas do mundo. A música sempre foi protagonista da sua vida?
Jane Duboc – Ai, ai, foi demais também, cantar com aquela orquestra de Israel, com o Edu Lobo, olha eu queria morrer! Foi muito complicado não chorar nesse show! Foi um presente divino que eu só tenho à agradecer. A música me levou para tantos lugares nesse mundo! Eu viajei demais! É uma maravilha, você rodar o mundo e conhecer pessoas que através da música viram suas amigas, eu sou amiga de tanta gente pelo mundo! É maravilhoso!

Eu agradeço essa profissão que me deu alegrias imensas, enormes! Até hoje eu tenho um fã clube que é fiel há 37 anos. Você tem razão, tudo foi a música!

Esse companheirismo que a música proporciona para todo mundo né, a harmonia da convivência, Nossa senhora, isso ai, é uma alegria, eu agradeço todos os dias à Deus porque a música me fez muito feliz.

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