A Vida das Bonecas vivas
Foto: Dani Sandrini

O espetáculo de dança-teatro “A Vida das Bonecas Vivas”, concebido e dirigido por Dan Nakagawa, tem pré-estreia online no dia 29 de novembro, domingo, pelo canal do projeto no YouTube, às 21h30.

Com estética recheada de referências do butô, do kabuki e da dança contemporânea, a montagem é inspirada no movimento das Living Dolls para tratar de existências humanas à margem de uma sociedade que cerceia a diversidade e a subjetividade.

“A Vida das Bonecas Vivas” conta com Helena Ignez como atriz convidada, conta com nomes como Bogdan Szyberde (polonês, radicado na Suécia) na provocação cênica, Lucas Vanatt como dramaturgista e Anderson Gouvea na coreografia, que também integra o elenco ao lado de Alef Barros, Laércio Motta, Gabriel Shimoda e Vivian Valente.

Surgido nos anos 80, atualmente o movimento tem mais adeptos na Alemanha, Reino Unido e EUA. A montagem investiga questões existenciais, de identidade, filosóficas e artísticas na construção psíquica da personalidade em busca de um duplo como forma de transcender a própria existência. E, pelas sutilezas, tensões cênicas e subjetivas, revela a maneira como a instauração dessa nova persona afeta a identidade e, por consequência, a dança do corpo transformado.

Segundo o diretor, as personagens de “A Vida das Bonecas Vivas” vão ao encontro de sua sombra, de seu duplo, tendo por base conceitos da psicanálise como o ‘estranho-familiar’, de Sigmund Freud, o ‘nosso outro no espelho’, de Jacques Lacan, o ‘retornar a si pela experiência do outro’, de Antonin Artaud. Ele conta que usou também como referência os trabalhos do dramaturgo e coreógrafo grego Dimitris Papaioannou, da companhia de dança Cena 11 e do performer e coreógrafo japonês Hiroaki Umeda para trazer à tona perspectivas de um renascimento identitário que transponha os limites do engessamento social e dos papéis desempenhados diariamente.

As motivações para esse projeto vêm de uma contínua pesquisa por Dan Nakagawa já no seu primeiro espetáculo “Não Ia ser Bonito?”, no qual explorou questões existenciais em torno do conceito de realidade e memória. Seguindo em “Normalopatas”, que questionava um sintoma coletivo de normalidade e normatização, bem como em seu recente trabalho, “O Aniversário de Jean Lucca”, inspirado na linguagem coreográfica do teatro kabuki e no conceito “lógica do condomínio”, uma analogia do psicanalista Christian Dunker.

Aliás, desde 2017, o diretor vem desenvolvendo trabalhos em Estocolmo, Suécia, estreitando as trocas culturais entre a sua arte provocadora e brasileira com o teatro e a dança suecos. Por duas vezes consecutivas, foi convidado a lecionar teatro e performance na Stockholm Academy Of Dramatic Arts, em 2017, mesmo ano em que colaborou como diretor na montagem da peça Tjuvar, de Dea Loher, com direção de Ulrika Malmgren. Em 2018, dirigiu a leitura dramática de “O Aniversário de Jean Lucca”, de sua autoria, com atores e bailarinos suecos e, no ano seguinte, dirigiu no MDT – Moderna Dansteatern (Teatro de Dança Moderna de Estocolmo) a performance de dança-teatro Wonderful Days – A Work In Progress com artistas da Suécia, Brasil e Inglaterra.

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