“Às vezes eu me pergunto se não tenho mais a ver com esses corpos do que com os meus colegas de turma”. M8 tem viés de cunho social, onde  em um país tão rico de histórias e dinâmicas sociais tenebrosas, simplesmente existir representa risco de vida para muitos. Aliás, é importante observar que cineastas como Jefferson De, M-8: Quando a Morte Socorre a Vida discursem sobre os problemas sociais do Brasil.

M-8: Quando a Morte Socorre a Vida se baseia no retrato das relações raciais e traça as camadas fincadas numa realidade adoecida. As minúcias por trás do racismo são levadas à tela com revolta, dor e injustiça.

M8, de fato, apresenta uma realidade tão comum e tão presente no dia a dia da sociedade, aliás, essa é a porta de entrada do filme, o lugar ocupado pelo corpo negro dentro da sociedade e as formas como ele é imediatamente carregado de preconceitos. Neste sentido, o filme é, certamente, um retrato de um Estado falho e das políticas públicas.

A trama caminha pela rotina de Maurício, que tem fixação com o corpo identificado como M-8 e logo se transforma no reflexo das políticas de Estado excludentes e racistas, assim  ele faz de sua missão descobrir a origem e a identidade daquele corpo, saber sua história e dar a ele a paz tão almejada.

M-8 é sobre os milhares de jovens da favela que desaparecem e são mortos todos os dias sem que ninguém jamais saiba de seus destinos. Fato é, o filme reforça a necessária efervescência política que retoma o seu espaço no cinema, na certeza de que o jovem negro não deve continuar sendo questionado simplesmente por existir e ocupar.

 

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