Filme se baseia na “síndrome do sobrevivente” para construir sua narrativa.

Apostando bastante no terror no último mês, a Netflix comprou pra plataforma um filme muito bem avaliado no Festival de Sundance, His House, ou, como ficou em português, O que ficou pra trás. Do diretor estreante Remi Weekes e com nomes de peso como Wunmi Mosaku, que recém fez o incrível “Lovecraft Country” da HBO, e Sope Dirisu, que participou de séries como “Black Mirror” e “His Dark Materials”, no elenco, o filme chega na plataforma como mais um filme do gênero bem sucedido.

O que ficou pra trás aborda a história de um casal refugiado da guerra que, depois de um longo período, acaba conseguindo direito a uma moradia na Inglaterra. Ao passar do tempo, o casal começa a perceber que não estão sozinhos dentro da casa. Sendo essa uma sinopse bem sucinta para evitar spoilers, a questão principal no filme, apesar de parecer mais um longa de terror sobre casas mal-assombradas, é muito maior que isso. O horror do filme é caracterizado por misturar o sobrenatural com o horror de uma guerra e por conseguir materializar um sentimento ruim como um monstro que persegue os protagonistas.

O filme tem uma narrativa bem acelerada, logo no início já somos rapidamente apresentados aos protagonistas e suas vivencias terríveis, principalmente, os monstros que estão lhes rondando. Mas a partir de um certo momento, a história deixa de focar no horror com jumpscares e maquiagens, e começa a demonstrar o medo dos protagonistas psicologicamente, dando várias camadas de profundidade sobre o que os personagens estão vivendo.

Além disso, uma dessas camadas importante de serem analisadas, é que o filme é construído como um terror que tem como principal definição o “survivor’s guilt”, ou em português, “síndrome do sobrevivente”. Essa síndrome é vista em pessoas que sobreviveram a grandes tragédias e que, por alguns motivos, passam a sentir culpa por aqueles que não conseguiram sobreviver. O filme analisa essa perspectiva de uma forma que possa introduzir elementos sobrenaturais na trama, sem deixar de lado a sensibilidade exigida ao retratar essas histórias e esses sentimentos reais.

O que ficou pra trás é, surpreendentemente, assustador, instigante e comovente. Certamente, um retrato da nova Era de filmes de horror que buscam inovar em suas narrativas, quebrando com as sequências e remakes de filmes antigos e com grande potencial para conquistar, além da crítica, o público também.

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