O EP “Tribunal do Feicebuqui” é reeditado oito anos após seu lançamento e chega pela primeira vez, nas plataformas digitais! É isso mesmo! O trabalho uniu o veterano Tom Zé a artistas emergentes  como Emicida, Tim Bernardes (e sua banda O Terno), Marcelo Segreto (Filarmônica de Pasárgada), Gustavo Galo (Trupe Chá de Boldo) e Tatá Aeroplano.

Aliás, o EP foi a estreia na música do então apenas jornalista Marcus Preto, que depois assinaria a direção de álbuns importantes de Gal Costa, Erasmo Carlos, Nando Reis e outros. Além disso, a motivação para que os meninos se juntassem ao mestre tropicalista , nas redes sociais (principalmente no Facebook, a mais ativa naquele período), foi a repercussão da locução que Tom Zé fez para uma propaganda da Coca-Cola.

Toda a “literatura” postada por internautas indignados com o comercial foi compilada, selecionada e os melhores momentos – gritos do tipo “vendido”, “americanizado”, “traidor”, “velho bundão” – geraram “Tribunal do Feicebuqui”, faixa que abre e batiza o EP. A compilação dos versos foi feita por Tatá Aeroplano, Gustavo Galo e Marcelo Segreto a partir de uma ideia de Marcus Preto. Emicida entrou no jogo com a rima que colocou o ponto final, cunhando o termo “Tribunal do Feicebuqui”.

Era a antecipação da cultura do cancelamento, tema tão presente nos anos que viriam. Naquela ocasião, Tom Zé ficou tão atordoado com a voz das redes sociais que optou por doar todo o cachê que recebeu pela locução do comercial para a banda de música de Irará, sua cidade natal, no interior da Bahia.

A segunda faixa, “Zé a Zero”, é letra de Marcelo Segreto que ganhou música de Tom Zé e Tim Bernardes. Estudioso do universo tropicalista, Segreto escreveu os versos da canção citando músicas de Tom Zé, como “O Abacaxi de Irará”, “Xiquexique” e “Parque Industrial”, entre outras.

Já Tim Bernardes, autor de “Papa Francisco Perdoa Tom Zé”, recorreu à personagem de “Alegria, Alegria” para compor sua marchinha carnavalesca. Se na canção clássica de Caetano Veloso, marco inicial da Tropicália, os versos eram “Eu tomo uma coca-cola/ Ela pensa em casamento”, na versão atualizada por Tim, se transformaram em “Já não penso mais em casamento/ Mas, se tomo coca-cola, acham que estou me vendendo”. O tema foi proposto por Tom Zé, que pediu a Tim: “Você bem que podia escrever uma música pedindo ao papa para me perdoar”. Em 24 horas, música, letra e arranjo estavam prontos. A execução ficou por conta da banda dele, O Terno. A versão do EP é diferente da que sairia no álbum “Vira Lata na Via Láctea”, concebido no ano seguinte basicamente pelo mesmo time de artistas.

“Taí” é um jingle que o próprio Tom Zé escreveu para uma campanha do guaraná homônimo quando era contratado da agência de publicidade DPZ, no final dos anos 1970. Sua ideia, então, era usar o tema clássico de Joubert de Carvalho para promover o refrigerante. Mas a agência optou por não usar o jingle proposto por Tom Zé, já que achava que um rock seria mais adequado para vender o produto à juventude. Mais de 30 anos depois de criada, a versão de Tom Zé saiu da gaveta. Ganhou estrofes extras, compostas por Marcelo Segreto, e um arranjo no batidão do funk carioca executado pela Filarmônica.

Por fim, “Irará Iralá” é uma canção que estava guardada no abarrotado baú de inéditas de Tom Zé – que já foi chamado pela revista “Rolling Stone” americana de “O Pai da Invenção”. A letra cita personagens reais da memória do cantor, figuras que foram importantes em sua infância, em Irará. Desde sua mãe de leite, Dona Maninha, até Renato, o amigo que o ensinou a gostar de música. O arranjo, em clima de filme de Tarantino, é da Trupe Chá de Boldo.

O álbum foi composto, gravado e cantado coletivamente no estúdio Vale do Silício, instalado no quinto andar do prédio em que Tom Zé vive até hoje, no bairro de Perdizes, em São Paulo.

Todo o processo de composição e gravação aconteceu durante o mês de abril de 2013. O material foi imediatamente disponibilizado para download gratuito, o formato mais pop daquele período. Com linda capa desenhada pela cantora Mallu Magalhães, “Tribunal do Feicebuqui” também foi lançado em compacto de vinil.

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