Foto: Mario Carmelo

Buscando inspiração em importantes figuras femininas das mitologias como Medeia, Lilith, Medusa e Ismênia, e adaptando suas histórias para os dias atuais por meio de olhares e vivências das suas cinco atrizes protagonistas, o espetáculo virtual “Palavras de Mulheres” estreia no próximo dia 4 de março, quinta-feira, às 21h, via Zoom, jogando luz e provocando reflexões no público sobre essas grandes personagens e sobre o lugar da mulher no mundo.

A peça é fruto de um processo criativo que reuniu – por cerca de 60 dias – cinco atrizes cariocas em encontros periódicos: Aurora Eyer, Jessica Madonna, Jullie, Maria Adélia e Maria Lucas, capitaneadas pela diretora Nina da Costa Reis e pela dramaturga Carolina Lavigne. Nesses encontros, as artistas foram construindo coletivamente suas personagens em cima das histórias mitológicas e agregando às cenas fatos e experiências de suas próprias vidas, para dar origem a um espetáculo interativo e original, no qual o público tenta descobrir – com a ferramenta enquete do Zoom – quais são os sentimentos que estão em cena. A pluralidade de olhares é a marca do elenco, que reúne atrizes de diferentes perfis, idades e etnias.

“Palavras de Mulheres” estará em cartaz por três semanas, de 4 a 19 de março, quintas e sextas, às 21h, via Zoom, com ingressos que variam de R$10 a R$200. Aliás, metade do valor dos ingressos será destinado à iniciativa Ainá Mulher, que ajuda mulheres a se conectarem a oportunidades de saírem de situações de violência.

“Ao longo dos últimos dias, viemos trocando experiências, relatos e histórias em reuniões periódicas pelo Zoom, nas quais abrimos o nosso coração e a nossa vida, a fim de entender quem eram essas mulheres das quais queríamos falar e o que nós mesmas tínhamos a ver com elas. Desse processo inicial, foram surgiram as cenas, bem como emoções e muitas descobertas que fomos trabalhando com cada uma e aplicando nesse jogo cênico”, explica a diretora Nina da Costa Reis.

Para a dramaturga Carolina Lavigne, o público vai se reconhecer nas cenas e nas palavras dessas atrizes, mas também vai perceber o quanto a mulher ainda precisa conquistar o seu espaço.

“Já parou pra pensar que o teatro nasceu como uma arte essencialmente masculina? Os mitos – tão festejados no teatro contemporâneo – foram todos escritos por homens. E mesmo com uma riqueza infindável de personagens femininos como Antígona, Medeia, etc, o teatro sempre excluiu as mulheres, tanto que os próprios homens interpretaram papéis femininos durante séculos. Palavras de Mulheres quer trazer o olhar dessas artistas para desmistificar essa ideia e devolver o seu lugar de fala de direito, propondo reflexões sobre afeto e sobre como a mulher se vê e se posiciona no mundo”, explica.

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