O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) apresenta a exposição “Marcos Chaves: as imagens que nos contam”, que reúne cerca de 70 obras do artista carioca, das últimas quatro décadas.

A mostra oferece um panorama da obra de Chaves e revela as diversas facetas de sua prática, desde a fotografia e o vídeo a grandes instalações e objetos modificados. Aliás, a individual reúne criações provenientes de acervos privados e da coleção do artista. A curadoria é um projeto conjunto da equipe curatorial do museu, com Beatriz Lemos, Keyna Eleison e Pablo Lafuente.

“É a minha primeira individual no MAM, um panorama amplo da minha trajetória, que exibe todo o conjunto de objetos criados desde a década de 1980. Apesar de incluir trabalhos antigos, é uma mostra bastante fresca, com obras de pouca circulação. A curadoria foi muito presente na seleção, privilegiamos objetos e instalações, além de fotografias que se relacionam com o entorno”, conta Marcos Chaves.

“A exposição me fez revisitar trabalhos antigos que me levaram a criar objetos novos: alguns têm relação com a pandemia, mas nada literal. Como a área expositiva é toda aberta, com vista livre para o Aterro e a Baía de Guanabara, a cidade entra na mostra, numa relação física e direta”, adianta Marcos Chaves.

A grande galeria do segundo andar do museu está estruturada por duas paredes lineares, de aproximadamente 30 metros cada, que atravessam o ambiente longitudinalmente, servindo de plataforma para objetos, esculturas, fotografias e vídeos. O espaço expositivo com vidraças descobertas permite conectar diretamente as obras de Chaves à cidade do Rio, tema recorrente em seu trabalho. A montagem – que resgata os painéis originalmente projetados para o MAM pelo designer alemão Karl Heinz Bergmiller – libera a visão do público e conduz os movimentos, agrupando trabalhos e criando narrativas não cronológicas.

A exposição inclui quatro grandes instalações, entre elas a Comfundo (1990), que ergue colunas construídas a partir de sacolas de supermercado. Exibido uma única vez no Rio, o trabalho revela a preocupação ecológica do artista, há mais de 30 anos. Outro destaque é a obra minimalista sem título criada nos anos 1990 especialmente para o MAM Rio: em metal, fibra de vidro e fio de nylon, a instalação dispõe postes organizadores de fila, como um circuito ou labirinto. A série Pontos de Fuga (2008), uma sobreposição de fotografias em 3D, e vários trabalhos em vídeo são parte da panorâmica. Outros trabalhos mais conhecidos do público, como o vídeo Eu só vendo a vista e a série Buracos, também integram a seleção.

As obras, sejam fotográficas, escultóricas, vídeos ou instalações, podem ser pensadas como imagens que capturam aspectos fundamentais das paisagens que o artista habita e dos lugares por onde circula. Seu olhar foca em aspectos frequentemente ignorados que, em suas obras, tornam-se profundamente reveladores. Elementos irrelevantes para outros olhares, erros ou desleixos nos quais Chaves repara e captura, dando a atenção devida às coisas que existem, permitindo que se mostrem em sua singularidade.

A exposição fica em cartaz até 13 de junho de 2021, com visitação de quinta a domingo e feriados, e agendamento on-line através do site do MAM Rio.

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