Inspirado no aclamado romance homônimo da jovem escritora Vanessa Bárbara, Noites de Alface trata de perda, solidão e das convivências diárias triviais, às quais se pode resumir e encerrar uma vida inteira.

Ada e Otto são casados há mais de 50 anos, mas agora, a solidão de Otto ocupava uma “casa de gavetas vazias”. Arrasado, ele se recusa a interagir com os habitantes da minúscula cidade onde mora. Refugiado na casa amarela onde haviam morado tanto tempo juntos, Otto tenta ruminar sozinho o passado. Mas a cada contato com os conhecidos da vizinhança, parece mais convencido de que, apesar da sutil normalidade, há um mistério no ar, que acaba por preencher sua vida vazia sem Ada. Pouco a pouco, inspirado pelas séries policiais que adora, Otto vai juntando pistas de um mistério, um incidente obscuro que a comunidade procura ocultar.

A montagem não linear do longa retrata a rotina de um casal na meia idade, porém o tom de suspense entra abruptamente na trama, assim confundindo o espectador. Noites de Alface tem tudo para ser um bom drama familiar, mas ao misturar gêneros, infelizmente, o diretor Zeca Ferreira peca nessa combinação.

Segundo o diretor, Zeca Ferreira, “Noites de Alface é um filme sobre como é envelhecer, comportando então uma série de subtemas dele derivados: a solidão, as perdas, o isolamento, as limitações físicas, o medo de perder a razão e a proximidade da morte”.

O diretor e também roteirista, insiste em inserir mais personagens, porém mal trabalhados mesmo contando com boas atuações, assim resultando como distrações no enredo cheio de altos e baixos ao misturar drama e suspense. Noites de Alface tinha tudo para ser um belíssimo drama familiar sobre como envelhecer.

Everaldo Pontes e Marieta Severo são sublimes em cena!  Eles simplesmente funcionam, naturalmente, colaborando na união de ambos, ao invés de afastá-los. O contraponto de seus personagens justifica olhar para si, assim abordando como é o envelhecimento.

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