Reencontrar o único homem que amou é o sonho de Gringa (Carmen Maura), dona de um bordel no interior do Brasil. Mesmo cega e muito doente, ela insiste em realizar seu último desejo: ir até Veneza para pedir perdão ao antigo amante, que abandonou décadas atrás. Para levá-la à cidade italiana, Tonho (Eduardo Moscovis), Rita (Dira Paes), Madalena (Carol Castro) e as outras moças que trabalham para Gringa idealizam um fantástico plano.

Baseado na premiada peça teatral “Venecia”, do argentino Jorge Accame, o texto, que foi adaptado pelo próprio Miguel para os palcos brasileiros no início dos anos 2000, agora, ganha versão cinematográfica.

Veneza traz é um universo particular e reflexivo em muitos aspectos. A poesia das imagens propicia uma viagem lúdica, com referências a poesia das obras de Fellini e a força matriarcal, de Almodóvar. Além disso, o filme traz uma trama envolvente com grande dosagem de drama. Aliás, Miguel Falabella delineia um roteiro comum retrato lúdico das mulheres impedidas de sonhar.

O elenco tem um ótimo desempenho, com destaque para a atuação visceral de Carmen Maura na pele de Gringa. Enquanto, Dira Paes e Du Moscovis levam uma boa química nas telas e Carol Castro e Caio Manhente vivem amor na essência e o desprendimento de preconceitos na relação.

Veneza apresenta tantas nuances seja no roteiro ou na estética, sem perder o tom do teatro, com uma ambientação, no mínimo, fascinante. Além disso, o filme traz, certamente, uma espécie de “erotismo mágico”, sem pretensão de ser pesado, aqui o sexo é visto, apenas, como um elemento dentro do contexto da trama, com diversos significados.

 

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