Foto: Kelson Barros

“Poemas Atlânticos”, nova criação do Menos1 Invisível Núcleo de Dança, inspirada no pensamento do ensaísta, filósofo e poeta negro martinicano Édouard Glissant,  especialmente no livro “Poética da Relação”, aborda a necessidade de trânsito e cooperação inter-racial como forma de sobrevivência num mundo hostil ao diferente.

 A transmissão é em parceria com o Teatro Flávio Império nos dias 21 a 22/8, às 16h, com ingressos gratuitos pela Sympla. Aliás, o quadro “Navio Negreiro” (1840), do pintor pré-impressionista Willian Turner, que corajosamente denuncia o descarte criminoso de milhares de pessoas africanas escravizadas no século 19, também serviu de ignição para o aprofundamento da pesquisa de criação de “Poemas Atlânticos”.

Por meio da metáfora poética do Mar, simbolizando desde o líquido amniótico de onde todos viemos, até a imensidão e mistério oceânicos para onde retornaremos, os sete bailarinos-criadores dançam, primeiro, a escassez, a tentativa de manter-se e sustentar relações insustentáveis, até uma total transformação a partir da convivência e da força da coletividade, revelando novas formas de habitar o mundo, de celebrar a vida e a coexistência, sem a criação de muros – reais ou abstratos.

Elementos poético-cenográficos, como o balde que, sobre a cabeça, remete à reminiscência da lata d’água tão presente nos sertões do mundo afro-atlântico e nas lembranças de infância periféricas, retratam as relações de poder, subjugação e ausência, mas também provocam outras presenças e memórias que ecoam vitalidade, pertencimento e resiliência.

“Escolhemos mergulhar nesses mares afro-atlânticos, em nossas histórias pessoais, incômodos e anseios relativos à ideia de africanidades e ancestralidades. Um movimento mais ao sul que, entretanto, não foge de novas fricções e conflitos”, pondera Cléia Plácido, que também dirige o espetáculo.

O espetáculo integra o projeto “Mergulho”, contemplado pela 28ª Edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo.

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