"Um Lugar ao Sol"Todos tecemos nossas vidas com o mesmo novelo: o da realização dos sonhos, mas, e quando, ao invés de possibilidades e caminhos, surgem barreiras e entraves? Se para você todas as portas estivessem fechadas e subitamente uma se abrisse, sob a condição de deixar sua identidade para trás, você iria adiante? Esses questionamentos irão ecoar na trama de, ‘Um Lugar ao Sol’, primeira obra completamente inédita, próxima novela das nove da TV Globo nesta faixa horária, desde o início da pandemia do Coronavírus.

Criada e escrita por Lícia Manzo, “Um Lugar ao Sol” mantém a marca dos trabalhos da autora, em que conflitos humanos e familiares são o fio condutor da narrativa. Os gêmeos Christian e Christofer (Cauã Reymond) encarnam realidades polares: a dos sonhos realizados e a dos que foram cruelmente frustrados. Ao perderem a mãe no parto, em Goiânia, os irmãos são separados prestes a completarem um ano de idade. Um deles é adotado por um casal do Rio de Janeiro enquanto o outro é encaminhado pelo pai, sem recursos, a um abrigo. Porém, os caminhos dos irmãos Christian e Renato finalmente convergem quando os dois completam 18 anos.

Assim, Christofer – rebatizado Renato pelos pais adotivos – e Christian crescem em realidades opostas, sem saber da existência um do outro. “No momento em que o abismo que separa pobres e ricos no Brasil é tamanho, me parece um desafio oportuno dar protagonismo a Christian, socialmente excluído e invisível, e Renato, seu extremo oposto”, afirma Lícia Manzo.

A direção artística de “Um Lugar ao Sol” é de Maurício Farias que, após 20 anos à frente de séries e programas de humor na Globo, retorna à dramaturgia diária. “Fiquei muito feliz quando fui convidado para dirigir a novela da Lícia porque ela era uma das autoras que eu tinha vontade de trabalhar. Adoro fazer novelas e espero, nesse projeto, conseguir unir a experiência que tenho na dramaturgia com os anos no humor”, comenta o diretor.

  Ao se despedir no leito de morte do homem que sempre acreditou ser seu pai, Renato descobre sua verdadeira origem, assim como a existência do irmão gêmeo de quem fora separado. Revoltado, confronta a mãe adotiva, Elenice (Ana Beatriz Nogueira), que mente ao filho, dizendo que seu irmão e o pai biológico estão mortos. Ao mesmo tempo, Christian, que com 18 anos é obrigado a deixar o abrigo para menores onde cresceu, em Goiânia, também descobre ter sido separado do irmão.

Inteligente e dedicado aos estudos, Christian deixa o abrigo e, sozinho no mundo e sem perspectivas, é rapidamente confrontado com a realidade do país. Subempregado, vê-se obrigado a arquivar seus sonhos, e apenas a existência do irmão afortunado parece iluminar sua vida. Na esperança de encontrar Christofer, decide partir então para o Rio de Janeiro. Antes, despede-se de Ravi (Lauan do Amaral), seu irmão de coração, 10 anos mais novo, criado no abrigo com ele.

Dez anos se passam em “Um Lugar ao Sol”! Dez anos em que Christian peregrina como ambulante na porta do Engenhão, em jogos do Botafogo, na esperança de encontrar o irmão. Sua única pista: um recorte de revista onde um jovem idêntico a ele, com a camisa alvinegra, assiste a uma partida na Tribuna de Honra do estádio.

Aos 28 anos, Christian segue para a rodoviária para receber Ravi (Juan Paiva), que acaba de completar a maioridade, agora, por intermédio de Ravi, que passa a morar com ele, Christian conhece Lara (Andréia Horta). A conexão entre os dois é instantânea.

Batalhadora, Lara foi criada em Minas Gerais pela avó, Noca (Marieta Severo), e veio para o Rio de Janeiro cursar gastronomia. Apaixonado, o jovem reconcilia-se então com a própria vida, desistindo da busca inglória pelo irmão perdido. Voltando a acalentar o sonho de um futuro melhor e possível, dentro da própria realidade, planeja casar-se com Lara para, juntos, abrirem um pequeno negócio. Novamente, no entanto, o destino se interpõe: Ravi é preso injustamente, acusado por um roubo que não cometeu, e Christian precisa levantar o dinheiro da fiança. Sem alternativa, acaba aceitando fazer um carreto para o tráfico e, inadvertidamente, contraindo uma dívida ainda maior. Ameaçado de morte e num beco sem saída, aceita a proposta de Lara: venderem o que têm para livrar Ravi, fugindo em seguida para a casa da avó em Minas Gerais.

Contrariando o impossível, no entanto, na noite marcada para a fuga, Christian encontra, ao acaso, Renato (que acaba de voltar ao Brasil). Após uma intensa madrugada juntos, os irmãos serão novamente separados, mas, desta vez, em caráter definitivo. Instável e problemático, ao tomar conhecimento da dívida do irmão, Renato sobe o morro em seu lugar. Tomado pelo irmão, é morto pelos traficantes.

“É um conflito entre manter sua essência, seguir as coisas que você acredita, e aproveitar uma oportunidade que a vida te dá de romper com tudo isso. Com alguns custos, é claro, como abandonar uma série de valores e também um grande amor”, analisa o diretor Maurício Farias.

Idêntico ao irmão recém falecido, e, num primeiro momento, tomado por ele pelo porteiro do prédio, por sua namorada a exuberante Bárbara (Alinne Moraes), e pela mãe adotiva, Christian aplica-se então a emular personalidade e comportamento do irmão, tornando-se seu duplo. Decidido a deixar o passado para trás, assume a identidade de Renato, tendo Ravi como único confidente. Incógnito, assiste a Lara enterrar o suposto corpo de Christian e segue rumo a uma nova vida, onde terá que lidar com as consequências de sua escolha. “Gostaria de trazer para a conversa diária de quem nos assiste questões como integridade, ética, corrupção e desigualdade social – não de um ponto de vista estatístico ou factual, mas íntimo, subjetivo e humano”, avalia a autora Lícia Manzo.

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