O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) lança em outubro o projeto “Supernova”, que traça um panorama da produção artística contemporânea no Brasil. O programa de exposições individuais cria uma plataforma de obras comissionadas e mapeia as práticas que constituem a contemporaneidade em função de diversos contextos e múltiplas linguagens.

Sob a curadoria de Beatriz Lemos, Keyna Eleison e Pablo Lafuente, “Supernova” abre com quatro artistas de geografias diversas e práticas distintas: Ana Clara Tito, Militina Garcia Serejo, Sallisa Rosa e Uýra Sodoma. O projeto conta com patrocínio da XP Private.

Cada exposição oferece uma situação excepcional, similar ao fenômeno astronômico Supernova*. De acordo com Beatriz Lemos, “o programa abre espaço para artistas cujas poéticas e presenças se estabelecem na constante negociação com o sistema da arte.” Para a curadora, ao convidar artistas de múltiplas geografias a desenvolver projetos de exposições individuais, o MAM Rio se torna também um espaço de formação profissional, oferecendo aos artistas a oportunidade de se familiarizar com os processos próprios da instituição: “As exposições apresentarão majoritariamente obras inéditas, pensadas para ocupar o museu a partir da relação com seu entorno e arquitetura”.

No dia 9 de outubro, a mostra “O que se degrada segue em frente”, de Ana Clara Tito, marca o lançamento do programa. Além disso, ainda em novembro deste ano, será a vez de Sallisa Rosa. Já Uýra Sodoma e Militina Garcia Serejo terão suas individuais em 2022, como parte da programação do MAM Rio. Cada exposição será sempre acompanhada de uma publicação monográfica, contribuindo a uma ampla representação da cena artística contemporânea brasileira.

A individual de Ana Clara Tito é focada em um trabalho específico que ela nomeia de “complexo, um tipo de obra que prefiro não chamar de instalação”, explica. Apoiada neste conceito, as obras da artista ocuparão as paredes e o piso da área expositiva do MAM Rio, criando um contínuo de objetos, materiais e composições, até o dia 6 de fevereiro de 2022.

Fabio Szwarcwald, diretor institucional do MAM Rio, considera que o projeto é de máxima importância. “Pensar a arte brasileira a partir de produções diversas, em linguagens e autorias, é fundamental na compreensão daquilo que somos. O panorama apresentado por Supernova, como um programa contínuo do museu, será efetivo para conhecermos os muitos ‘Brasis’ de Norte a Sul, Leste a Oeste”.

*Supernova é uma explosão estelar poderosa e luminosa. Este evento astronômico transitório ocorre durante os últimos estágios evolutivos de uma estrela massiva ou quando um remanescente estelar inicia uma fusão nuclear descontrolada. O pico de luminosidade óptica de uma supernova pode ser comparável ao de uma galáxia inteira.

Supernova
Foto: Matheus Freitas

A partir de  13 de novembro, a segunda exposição do projeto Supernova promove um recorte da produção artística contemporânea no Brasil. Intitulada “América”, a individual da goiana Sallisa Rosa tem curadoria de Beatriz Lemos, Keyna Eleison e Pablo Lafuente. A partir da pesquisa que desenvolve sobre as relações entre colonialidade, memória e ancestralidade, a artista visual apresenta um projeto concebido especialmente para o museu carioca. E com base na própria trajetória, usa o barro para construir um corpo de memória e reverenciar seus antepassados.

Uma das obras centrais é a Urna da memória (2021), em torno da qual a artista dispõe 35 potes da série Abya Yala, também em cerâmica, que fazem alusão à sua idade. Uma parede pintada com uma solução de terra traz o convívio com as raízes, mais um elemento disparador do imaginário em América. Com esta temática, as séries Lembranças (de nanquim sobre papel) e Recordação (impressão em tecido) completam a mostra.

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