Drama familiar retrata ressentimentos nunca curados entre pai e filho.

Falling - Ainda Há TempoIndicado ao Goya 2021 na categoria Melhor Filme Europeu e premiado como Melhor Filme no Festival de San Sebastián 2020, Falling – Ainda Há Tempo traz Viggo Mortensen na direção de um filme, onde a temática, infelizmente, ainda é atual: a homofobia. Mortensen, certamente, tem boas intenções, entretanto, sustenta um discurso quebrado sobre as vivências LGBTQIA+.

Falling – Ainda Há Tempo traz a história de Willis é um homem idoso, conservador e violento, que começa a demonstrar sinais de demência. Quando passa uma semana na casa do filho, um piloto de avião gay que vive com o marido e a filha, incomoda a todos com sua intolerância. Mesmo assim, o filho John pretende acolhê-lo até o final.

As incansáveis brigas à distância fazem partem do enredo que traz também a relação ausente entre pai e filho. Fato é, Falling – Ainda Há Tempo  pode até condicionar o respeito pelas minorias à boa vontade dos conservadores, ao invés de tratá-lo como direito fundamental dos indivíduos discriminados, mas faz isso com dificuldade, além de um discurso um tanto homofônico, diga-se de passagem. Caberia aos gays fazer o esforço de transformar a mentalidade alheia? Obviamente, que não!

Assim como muita gente acha que são os negros que devem “ensinar” os racistas, os imigrantes que devem “corrigir” os xenofóbicos e assim por diante, Falling – Ainda Há Tempo repete esse mesmo discurso, fazendo com que o peso da justiça recaia sobre os ombros das vítimas. Certamente, uma postura condescendente e paternalista que não beneficia em nada o discurso que pretendia seguir.

Tão confuso e complexo como o relacionamento central, o longa chega a ser desgastante, mesmo cheio de boas intenções (que, aliás, o inferno está cheio). A estreia de Viggo Mortensen como diretor, traz um conto invasivo sobre abuso.

Ah! O filme faz parte da seleção do Festival do Rio 2021.

 

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