Adaptação não se limita a retratar a história de Gulliver.

Inspirado pelo livro “Viagens de Gulliver”, obra-prima do irlandês Jonathan Swift,  o premiado grupo Maracujá Laboratório de Artes criou o espetáculo “Sonhei que era Gulliver”, uma peça para todas as idades que utiliza o teatro narrativo, teatro de sombras, teatro físico, vídeo cenários e puppet toys para reler, de forma lúdica, as deliciosas críticas à sociedade e à natureza humana retratadas pelo escritor em seu livro.

Aliás, a adaptação do diretor e dramaturgo Sidnei Caria optou por adequar todas as técnicas que o grupo já utilizava em seus outros espetáculos à linguagem das telas, mas mantendo o caráter artesanal que o Maracujá sempre imprime em suas experimentações audiovisuais no palco. Além disso, a diferença de tamanho entre o protagonista e os habitantes locais possibilitou a elaboração de uma rica cenografia construída a partir da técnica de puppet toys, onde miniaturas parecidas com brinquedos recriam Lilliput, com castelos, casas, seus habitantes e animais.

“Sonhei que era Gulliver” também mescla vídeo cenários que recriam o ambiente do mar, e o teatro de sombras é utilizado em vários momentos. E tudo isso foi construído no próprio quarto do diretor, que se tornou literalmente Lilliput, com paredes pintadas com cenários e todos estes elementos espalhados pelo chão, refletores no teto, entre outros recursos.

Porém, a adaptação de Caria não se limitou a retratar a história de Gulliver. Como forma de criar uma nova sensação relativa a esses universos fantásticos e conectá-los ao espaço da casa, onde o espetáculo surgiu, a peça se vale da metalinguagem (recurso já explorado em Rabisco – um cachorro perfeito), apresentando, além do personagem Gulliver (vivido pelo ator Silas Caria), que vive todas as aventuras em Lilliput, um narrador mais velho (vivido pelo diretor Sidnei Caria), que, de sua casa, narra todos estes acontecimentos, fazendo conexões entre situações cotidianas que ele vivencia em sua residência com situações vividas por Gulliver, que podem ser lembranças, sonhos ou sua própria imaginação de leitor.

Dentro de sua casa, um velho viajante revive, em seus sonhos e lembranças, sua estranha experiência pelas terras de Lilliput, um lugar onde todos – menos ele – são minúsculos e vivem em guerra com a ilha de Blefuscu por causa de uma divergência na forma de quebrarem os ovos. Ficção ou realidade? Sonho ou lembrança?

Serviço
18 a 28 de novembro de 2021
Quintas e sextas-feiras às 19h
Sábados e domingos às 16h e 19h
Gratuito
Duração: 35 minutos
Exibição nos seguintes canais:
https://www.facebook.com/maracujaartes
https://www.youtube.com/c/maracujalaboratoriodeartes

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