A peça “Vírgula”, nova criação da Cia Gente estreia respectivamente, nos Teatro Armando Gonzaga (Zona Norte) e João Caetano (Centro). Escrita e dirigida pelo dramaturgo e antropólogo Paulo Emílio Azevedo, a peça traz em cena nove intérpretes que se comunicam por meio de gestos, movimentos e textos performáticos. Trata-se de um ode à lentidão.

“Vírgula” persegue uma respiração cênica que se faz no entre do texto, seja ele dito ou dançado. O projeto foi contemplado no Prêmio FUNARJ de Dança 2021.

Após passar por duas décadas de investigação em linguagem cênica; primeiramente sobre a “queda” (de 1999 a 2011) e, depois sobre o “desequilíbrio” (de 2012 a 2020), o terceiro ciclo do autor traz a “pausa” como célula criativa. Para isso, elabora uma espécie de manifesto da “lentidão”, entendendo a mesma como uma desobediência do corpo à correria imposta pela tecnologia. Aliás, cabe dizer, qualquer tecnologia que não seja o próprio corpo a gerar velocidades e arritmias; o corpo como agente da sua história.

Em “Virgula”, Paulo sugere uma experiência estética sobre “tempo”; num fazer e agir por meio de pausas, sendo elas (r)existência, espaço de escuta, desobediência ou contraponto à correria estabelecida pela tecnologia. Mas tecnologia neste caso seria tudo aquilo que faz com que o corpo se submeta a uma velocidade que não lhe é própria.

“Já a ideia de lentidão adotada não é, necessariamente, de uma forma lenta (pode ser também), nem de uma pantomima representada, por exemplo, na figura de uma “estátua”, mas, sobretudo, atravessada por uma dinâmica interna do corpo (inclusa a imobilidade ou mesmo a alta velocidade) que pleiteia o protagonismo da sua história. Desse modo, unindo ambas as categorias, poderíamos compreender que a Lentidão é a vitamina C da Pausa. Assim, dançar seria, pois, voltar-se para o corpo (para si); essencialmente, pausar”, explica o diretor Paulo Emílio Azevedo.

“Vírgula” é essa breve respiração (pausa) que se faz no entre do texto, no ventre da frase, no colo do movimento e no seio da vida. Logo, o que de fato interessou à investigação se encontrou naquilo que ocorre no meio, no processo, nas vírgulas e nas curvas que desenham tal forma tão bela e sinuosa; encharcada de perigos e silêncios. Não satisfeitos, perseguiram ainda o que surge no aposto, outra vez no “entre”.

Serviço:
Teatro Armando Gonzaga (Av. Gen. Osvaldo Cordeiro de Farias, 511 – Marechal Hermes) 09/04, sábado, 19h
Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n – Centro) 14/04, 5a feira, 19h

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