O Grande DiaPeça-filme sobre o homem negro no mundo contemporâneo, “O Grande Dia” é um solo sobre homens negros. Avôs, pais, filhos, companheiros, famosos, anônimos, trabalhadores, intelectuais, vivos ou mortos não são usados como objetos de estudos, mas como protagonistas das suas próprias histórias, narrativas e vivências.

Do nascimento até o presente momento, das travessias de ruas da Chatuba de Mesquita até à cidade de Pequim, na China, o ator, Reinaldo Júnior estreia o solo que evidencia a capacidade artística de um homem negro brasileiro nos palcos.

Realizada pela Confraria do Impossível, com participações especiais de Mariana Nunes, Cátia Costa, Vilma Melo, Tatiana Tiburcio, Wilson Rabelo, Nando Cunha, WJ, Reinaldo Santos, Theo Costa, Zaion Salomão, “O Grande Dia” mistura arte e realidade em cena, além de desmistificar e desconstruir os preconceitos acerca das pessoas negras, sobretudo, dos homens.

“Dos palcos aos ringues, da vida cotidiana, simples, em luta, de um corpo bélico, em trânsito, carregado de poesia, subjetividade e camadas que não interessam ao sistema que esteja vivo, pulsante e pensante. A peça é, certamente, uma obra construída sobre a vida para atravessar e transformar tantas outras, quebrando olhares viciados e construindo imaginários positivos sobre o ser negro”, frisa Reinaldo.

Segundo André Lemos, diretor do projeto, o encarceramento em massa, a intolerância religiosa e as discussões sobre o papel do homem negro dentro da contemporaneidade e da nova abordagem de protagonismo são alguns dos assuntos debatidos. “A ideia é trazer o homem negro para o centro da cena. É preciso entender esse discurso da descolonização”.

 Aliás, de acordo com o protagonista, o processo de pesquisa completou 30 anos. “Este trabalho começou em 1991. Temos o mesmo tempo de vida, nos mesmos minutos e acréscimos e nascemos no mesmo lugar, na mesma batida e no mesmo ritmo. Mesmo com muitas vozes e com a diversidade de personagens em cena, encaro como uma grande aventura”, conta Reinaldo.

Além disso, para Reinaldo, o intuito é fazer com que outros homens negros se reconheçam. Para um bate-bola durante este processo, ele convidou os atores e amigos, Wilson Rabelo e Wayne Marinho, para uma troca sobre a obra. “Acredito na antiga filosofia que arte não se faz sozinho”, explica.

  “Esperamos conduzir o espectador e o público para um olhar mais profundo e humanizado sobre a complexidade e as camadas de uma vida negra masculina em uma sociedade racista dominada pelo patriarcado branco, além de exaltar e homenagear a nossa ancestralidade preta através da arte, quebrando estereótipos e a falácia de que não existem bons atores negros no Brasil”, concluiu.

SERVIÇO
Teatro Armando Gonzaga
Av. Gen. Osvaldo Cordeiro de Farias, 511 – Mal. Hermes
datas: 26, 27 28 e 29 de maio – quinta, sexta e sábado às 20h e domingo às 19h
Classificação: 14 anos

SERVIÇO
Teatro Glaucio Gill
Praça Cardeal Arcoverde, s/n – Copacabana, Rio de Janeiro
datas: 2, 3, 4 e 5 de junho – quinta, sexta e sábado às 20h e domingo às 19h
Classificação: 14 anos

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