Em 2022, o Grupo Depois do Ensaio completa 10 anos de vida e, para comemorar, a companhia, reconhecida pelo seu trabalho com o teatro de bonecos, promove uma pequena mostra com espetáculos de repertório que marcaram sua trajetória.

Entre os dias 05 e 21 de agosto (às sextas, sábados e domingos), o público poderá conferir no Teatro Sergio Porto, no Humaitá, três montagens infantis recentes da cia: “Seu Miguel, Seu Miguel”; “Itaí, a travessia do valente”; e a “Mostra de Teatro Lambe-Lambe”. Excepcionalmente nos dias 13 e 14 pela manhã (sábado e domingo), será promovida também a oficina “Da Atuação à Forma Animada” sobre manipulação de bonecos e o uso de máscaras (as inscrições devem ser feitas pela plataforma Sympla).

 Quem for ao teatro Sergio Porto vai poder conferir alguns dos grandes sucessos recentes do grupo, entre eles, “Seu Miguel, Seu Miguel”, que teve apenas uma temporada online, em 2021. Voltado para o público infanto-juvenil, a montagem baseada na linguagem do Teatro de Formas Animadas (marionetes e máscaras) conta a história de Seu Miguel, um artesão que não consegue mais encontrar felicidade em seu trabalho. Com a visita de Nina em sua loja, uma menina curiosa, Seu Miguel percebe que basta um único fio de esperança para continuar acreditando no melhor das pessoas. “É uma história que resgata no ser humano a essência de olhar para o próximo”, afirma Gaia Patricia, uma das fundadoras da companhia.

Outra montagem do ano passado que também teve apenas sessões online é “Itaí, a travessia do valente”, inspirado no conto “A saga do viajante e seu cantil”, do Griot Toumani Kouyaté. O termo Griot se refere aos contadores de histórias na África do Oeste. Em cena, em uma rica encenação de bonecos de balcão, Itaí segue sua jornada e leva consigo o amor e a benção de seus ancestrais. Como um rito de passagem, ele recebe seu cantil de água onde estão guardados seus mais profundos aprendizados. Uma peça para crianças, jovens e adultos que acreditam que em algum momento de nossas vidas também já foram majestades ou divindades do amor. “A peça fala sobre a criança que existiu e existe em cada um, pois ela mora na inteireza do ser, sobre o primeiro mundo, onde tudo é inominado invisível, sem paredes e portas, onde toda vontade é plena e todo imaginar é poder”, reflete Fabricio Neri, integrante do grupo.

Fechando a lista de apresentações, o grupo traz a “Mostra de Teatro Lambe-Lambe” (2017), linguagem do Teatro de Formas Animadas que nasceu no Brasil na década de 80, inspirado nos antigos fotógrafos Lambe-Lambe. De acordo com as criadoras dessa linguagem, Ismine Lima e Denise Santos, a cena dentro da caixa é um segredo compartilhado. A mostra, que ficará em cartaz gratuitamente no foyer do teatro, é composta por oito mini espetáculos (com duração de aproximadamente 3m): “O Grande Pequeno Circo”, “Você pode me amar?”, “A Vidente”, “Guaraci”, “Cir-Cor”, “Reza pras águas”, “O Astronauta” e “A Caminho”. Todas as histórias são ligadas pela mesma inquietação: a profunda busca do ser humano. Um espectador por vez é convidado a assistir ao segredo que cada espetáculo tem a revelar, desvendando assim a magia dos menores palcos do mundo.

Seguindo a sua premissa de compartilhar conhecimento, o grupo irá promover a oficina “Da Atuação à Forma Animada”, ministrada pelos artistas da companhia e pelo mascareiro Rodrigo Sàngódaré, com vagas limitadas para até 20 pessoas. Durante dois encontros (3h cada), os alunos poderão aprender as técnicas de manipulação de bonecos, incluindo exercícios que trabalham os princípios de nível, ponto fixo, eixo, uso das emoções, neutralidade e sonoridade. A oficina também traz noções de uma importante ferramenta para o treinamento do ator: o uso da máscara. Para completar, os alunos poderão acompanhar o processo de construção dos protótipos de bonecos que serão usados para o entendimento e a realização dos fundamentos.

Criado em 2012, no Rio de Janeiro, o grupo Depois do Ensaio desenvolve um trabalho autoral ligado a temáticas populares e intervenções artísticas nos espaços urbanos, sempre com o intuito de levar cultura a todos. Desde 2017, o grupo passou a mergulhar na pesquisa do Teatro de Formas Animadas, sendo hoje uma das grandes marcas de seu repertório. “Estamos há 10 anos na estrada e achamos que essa data não poderia passar em branco. Nosso lema é e sempre será democratizar a arte, levando cultura e conhecimento para todas as pessoas, independente de classe, credos ou gênero”, comemora Thales Sauvo, um dos fundadores da cia.

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