Um Outro Olhar
Foto: Yasmin Dib

Depois de passar por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Natal, “Um Outro Olhar – Teatro Cego” chega a Nova Iguaçu, no Teatro Sylvio Monteiro, com entrada gratuita.

“Um Outro Olhar – Teatro Cego” é uma peça no escuro que oferece sensações singulares para quem for ao teatro. No palco, um elenco misto, de atores com deficiência visual e sem deficiência visual (o que faz com que um ator que enxerga precise mergulhar no universo da não-visão).

Através da sensibilidade, é possível compreender a trama, mesmo estando completamente no escuro. A proposta é estabelecer uma linguagem inédita no teatro e, ao mesmo tempo, trabalhar com a inclusão. A peça tem em seu elenco alguns atores com deficiência visual, cumprindo, assim, um papel social através da arte.

“O Teatro Cego trabalha conexões e imaginários que a visão acaba por abafar. A cenografia e o figurino, por exemplo, são resultado da encenação e aparecem para o espectador somente depois que a peça se inicia, ao contrário do teatro convencional”, diz o autor e diretor Paulo Palado.

Em cena, Ana Righi, Lumma Sanches e Paulo Palado nos presenteiam com um formato teatral que proporciona, através da arte e do entretenimento, uma experiência única ao público, convidando-o a abdicar da visão e a compreender a trama através de seus outros sentidos (olfato, paladar, tato e audição), utilizando-se de aromas, música e sensações táteis.

Durante o espetáculo, sons, vozes e cheiros chegam aos espectadores vindos sempre de locais diferentes, dando a sensação de que eles estão realmente inseridos no ambiente cênico. A trama gira em torno de personagens de diferentes classes sociais que enfrentam problemas semelhantes como o medo, a negação e a baixa autoestima.E aos poucos, cada ator vai revelando como encarar essas dificuldades.

“Um Outro Olhar – Teatro Cego” conta a história de uma empregada doméstica e sua patroa que passam, ao mesmo tempo, por um tratamento de câncer. As duas encontram-se em momentos diferentes da doença, com a empregada praticamente curada e a patroa iniciando a quimioterapia.

A relação dessas duas mulheres mostra as diferentes posturas e dificuldades que pessoas de classes sociais distantes têm diante desse desafio, ao mesmo tempo em que a compreensão das condições de cada uma delas faz nascer uma amizade que se tornará a principal ferramenta de suas lutas. Apesar do tema delicado, a trama se desenvolve com muita leveza, bom humor e sensibilidade, levando o espectador a uma reflexão que aprofunda a discussão sobre aspectos emocionais, sociais e comportamentais da doença. A trama fala sobre generosidade, empatia, amor, medo, superação, respeito e autoestima. Por acontecer completamente no escuro, a peça se utiliza ainda mais da percepção do espectador, fazendo com que o tema proposto possa ser tratado com ainda mais sensibilidade e aprofundamento.

  Serviço:
Temporada: de 04 a 07 de agosto
Local: Teatro Sylvio Monteiro  (Rua Getúlio Vargas, 51 – Centro – Nova Iguaçu)

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