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“Memórias de uma Manicure” faz uma reflexão sobre sororidade e empreendedorismo feminino

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“Memórias de uma Manicure”
Foto: Dalton Valerio

 Por que a profissão da manicure, trabalho que garante a autonomia econômica de tantas mulheres periféricas, foi desde sempre alvo de preconceitos e menosprezo? Por que até hoje há falta de reconhecimento por parte das marcas de produtos dos quais elas são as maiores consumidoras? Essas perguntas guiaram a pesquisa do espetáculo “Memórias de uma manicure”.

 Com texto de Cecília Ripoll e direção de René Guerra, “Memórias de uma Manicure” faz parte de um projeto maior sobre o universo das manicures, que propõe reflexões sobre empreendedorismo, competição e colaboração entre mulheres, padrões de beleza e machismo. Além da peça, haverá performances públicas.

Idealizadoras do projeto, as atrizes Carla Soares e Luciana Mitkiewicz se juntaram à historiadora e dramaturgista Gabriele Rosa e, ao longo da pesquisa de dois anos, entrevistaram mais de 30 manicures de todas as regiões brasileiras. A partir dos discursos da maioria delas enaltecendo a meritocracia e o empreendedorismo, “Memórias de uma Manicure” levanta questões sobre o desejo, a descoberta do poder pessoal e as nuances e limites da sororidade.

Aliás, o enredo do espetáculo se inspirou em uma história verídica ocorrida em 1958. A manicure Zulmira, vítima de ameaças constantes, mata o ex-companheiro dentro de uma delegacia. É presa no ato, mas solta em pouco tempo e considerada uma heroína por ter agido contra quem a ameaçava de morte. A partir daí, a autora Cecília Ripoll criou a trama que acompanha duas manicures: Marlene e Carmem. Marlene trabalha em um salão, cujo dono, S. Pacheco, viaja de férias para Mangaratiba. Ela detesta trabalhar lá, mas não tem opção. Seu único desejo é ganhar o grande prêmio dos Esmaltes Unhazita para poder criar sua própria marca de esmaltes.

Na ausência do patrão, chega uma nova manicure auxiliar, Carmem. Com o passar do tempo, elas se tornam amigas e confidentes. Marlene começa a beber e volta a sonhar. O patrão não volta e é dado como desaparecido. Um certo dia, conferindo o cupom dos Esmaltes Unhazita no jornal para saber se ganhou o prêmio, depara-se com uma foto idêntica a de Carmem em um anúncio de “Procura-se”. O texto diz: “Procura-se Zulmira, a manicure assassina – só mata de unhas feitas”. A recompensa é a mesma do prêmio. Ela terá, então, que decidir se entrega a colega ou não, escolhendo entre o sonhado empreendimento ou a nova vida que descobriu ser possível ao lado da amiga.

“A gente procura usar o melodrama para fazer uma crítica social, como o cineasta Douglas Sirk fazia nos anos 50. Ele é uma de nossas inspirações. Quando a gente descobriu a história de Zulmira, começamos a criar o espetáculo com imagens do Rio Antigo, propagandas da época, trilha sonora só de boleros e um gestual que se inspira nas mocinhas do melodrama, na comédia noir e nas femme fatales da época de ouro de Hollywood”, explica o diretor René Guerra.

Serviço:
Temporada: 19 de janeiro a 12 de fevereiro de 2023.
Centro Cultural da Justiça Federal: Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro – RJ
Dias e horários: de quinta a domingo, às 19h.
Ingressos pela Sympla e na bilheteria do centro cultural, a partir das 17h.
Lotação: 141 lugares
Duração: 1h20
Classificação etária: 16 anos

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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