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“Panchito Gonzalez” elucida as desigualdades sociais diante do capitalismo

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As mazelas de um Brasil dominado pelas desigualdades frente ao mundo contemporâneo entram em cena através em “Panchito Gonzalez”, do diretor Wellington Fagner, no Teatro Chica Xavier, no Rio de Janeiro. De forma lúdica, o elenco evidencia a luta dos negros e periféricos pelos espaços e os malefícios causados pelo racismo estrutural na sociedade.

Promovendo à população do subúrbio o acesso ao teatro, a peça, que iniciou o projeto como esquete, narra a história de um pai de família que sonhava em se tornar um engenheiro, porém, ao estar desempregado, busca no subemprego meios para se sustentar. E, ao receber uma oportunidade de se tornar laranja de uma empresa transoceânica e ter melhores condições de vida, Panchito passa a reproduzir posturas que colocam em xeque a vida de milhares de pessoas.

Segundo Wellington, além de desemprego, informalidade, precarização do trabalho e os efeitos da necropolítica sobre a população negra, também são alguns dos assuntos no palco. “O espetáculo possui o intuito de difundir o debate a respeito dos atravessamentos do capitalismo e do racismo institucional sobre a necessidade vital de subsistência do trabalhador, a fim de contribuir para a criação de políticas públicas que possam servir às vítimas do subemprego no país”, ressaltou.

De acordo com o diretor, tudo começou da parceria com a Escola Livre F.A.M.A. e o Instituto Augusto Boal, originando a cena curta “Panchito Gonzalez”; uma adaptação do texto “Histórias para serem contadas” do dramaturgo argentino Osvaldo Dragun, com tradução de Cecília Boal; tendo ganhado mais de 20 prêmios em festivais do estado do Rio de Janeiro. “Panchito é um trabalho muito desafiador, principalmente por sua linguagem e precisão, que não é única, porém diferente. A luz do espetáculo junto com toda sonoridade e os movimentos, fazem da encenação um grande jogo de teatro, que pauta questões extremamente sérias de forma cômica e épica”, explica.

Neste sentido, esta montagem que foi patrocinada pelo FESTU – Festival de Teatro Universitário e o elenco segue dando prosseguimento às atividades de uma rede de artistas e produtores da periferia de áreas diversas dentro da cena teatral – que tiveram seus trabalhos cancelados e paralisados diante da pandemia de Covid-19 – difundindo assim a reflexão sobre a precarização do trabalho, além do racismo estrutural e institucional como formas de dominação e opressão de corpos negros, periféricos e favelados.

Potência na arte de interpretar, Junior Melo, um dos atores destaca. “Quando começamos a conceber este projeto, o foco era denunciar o rumo que os direitos trabalhistas estava tomando no Brasil. De lá para cá, o cenário político nacional piorou, agravado pelo cenário pandêmico que afetou principalmente a classe pobre e trabalhadora. Com isso, os debates sobre raça e classe se tornaram urgentes no país e nós esperamos contribuir para a reflexão do público carioca, denunciando de forma irônica, distanciada e bem humorada, a estrutura socioeconômica que caminha de maneira crescente rumo à evolução do que hoje conhecemos como uberização do trabalho”, pontuou.

SERVIÇO
Temporada: 13 a 29 de janeiro
Dias: sextas e sábados 20h e domingos 19h
Local: Teatro Chica Xavier -Terreiro Contemporâneo (Rua Carlos de Carvalho, 53, Centro)
Ingressos pela Sympla https://www.sympla.com.br/panchito-gonzalez—temporada-teatro-chica-xavier__1834864

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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