- Publicidade -

(Des)controle: Rosane Svartman e Carol Minêm abordam o alcoolismo

Publicado em:

O filme (Des)controle, dirigido pelas cineastas Rosane Svartman e Carol Minêm, abre com uma imagem forte: Carolina Dieckmann, dormindo num chafariz no Rio de Janeiro, acordada por um guarda municipal. Seis meses antes, Kátia Klein, sua personagem, era só sucesso — escritora de livros infanto-juvenis, mãe, esposa amorosa, vida perfeita. Mas a gente sente logo que aquilo estava tudo ralo. A pressão para entregar o novo livro, a crise com o marido Zeca (Caco Ciocler), a voz na cabeça que sussurra “só um gole”… aí, ela que não bebia há 15 anos, recai feio. O tom é leve, tem graça, mas dá um aperto no peito.

Aí surge aquela outra Kátia no espelho — não é fantasma, é ela mesma, só que pior. Em (Des)controle, Carolina faz duas vozes numa só: uma que implora, outra que tenta se segurar. Duas personagens distintas que só reforçam a ótima atuação da atriz. Eu ri em várias cenas, como quando a Léo (Julia Rabello), agente literária e amiga de infância, tenta arrumar a bagunça antes que a editora se canse de tudo aquilo. Mas ri e engoli seco, porque é engraçado, sim, porém real demais. O filme joga isso na cara sem ser panfletário.

O roteiro, assinado por Iafa Britz e Felipe Sholl, costura casamento em ruínas, filhos assustados e carreira em risco. Já a trupe de atores conta com Daniel Filho como Levi, o pai divertido, Irene Ravache como Esther, a mãe protetora, ambos em grande forma cênica, assim como o elenco inteiro.

Aliás, Rosane e Carol dirigem sem exagerar: o drama não vira novela, a piada não vira stand-up. Fica na medida, sabe? Parece que a gente está espiando a janela da Kátia, não assistindo a um filme.

E no fim de tudo… não vou estragar. Mas aquela última imagem? Dividiu a crítica e, ainda assim, funciona. É como se a Kátia botasse o demônio para fora de vez, mas não de graça. Quem viu, sabe. Quem não viu, corre para ver. Porque (Des)controle não é só para rir e chorar — é para encarar que, às vezes, o chafariz é o fundo do poço, e subir dali exige mais do que força: exige espelho.

Resumindo: se você quer uma comédia que não seja só zoeira e quer ver Carolina Dieckmann num papel que dói e cura (de novo), porque este ano ela também está voando em Pequenas Criaturas —, (Des)controle é o filme certo. Recomendo sem medo. E, olha, quase todo mundo conhece ou já ouviu falar de alguém como os personagens dessa história… vai que vira assunto de mesa de bar, só que sem bebida, claro.

Desliguem os celulares e excelente diversão.

Bruno Giacobbo
Bruno Giacobbo
Um dos últimos românticos, vivo à procura de um lugar chamado Notting Hill, mas começo a desconfiar que ele só existe mesmo nos filmes e na imaginação dos grandes roteiristas. Acredito que o cinema brasileiro é o melhor do mundo e defendo que a Boca do Lixo foi a nossa Nova Hollywood. Apesar das agruras da vida, sou feliz como um italiano quando sabe que terá amor e vinho.

Mais Notícias

Comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

Nossas Redes

2,459FansGostar
216SeguidoresSeguir
125InscritosInscrever
4.310 Seguidores
Seguir
- Publicidade -